Publicado 15 de Novembro de 2015 - 19h05

Muitos ainda imaginam que a profissão de ator é totalmente glamourosa, baseando-se principalmente nas ricas celebridades que embelezam novelas e filmes. A verdade é que, até chegar ao ponto de ser um grande astro, o ator precisa ralar muito, muitas vezes de graça, fazer contatos, criar bons relacionamentos, levar diversos “não” e, se ainda não fosse o suficiente, contar com a sorte.

Exatamente por isso, muitos desistem pelo caminho, até porque custa muito dinheiro persistir na carreira, desde cursos, viagens e ter uma agenda livre para fazer testes. Tanto que é comum, nessa luta, ver atores com atitudes desesperadas de “é tudo ou nada”.

A atriz Fabiana Karla, por exemplo, não esconde o que fez por sua primeira oportunidade na TV. Ela saiu de Pernambuco, foi para o Rio de Janeiro, para a porta do Projac pedir para Maurício Sherman, na época do Zorra Total, “cinco minutos para mostrar o que eu sei fazer”, disse, contando pela primeira isso no Programa da Xuxa. Demorou até ela conseguir falar com ele, mas quando foi possível, implorou por uma chance. Ele “concordou, pediu para eu voltar no dia seguinte. Me deu alguns textos para eu ler, eu mostrei e também pedi para mostrar um personagem meu.” O final da história é feliz, já que o talento de Fabiana falou mais alto naquela situação, tanto que, desde aquele teste, em 2003, ela nunca mais saiu da Globo.

Contar só com o talento, porém, nem sempre dá certo. “O Brasil ainda peca no profissionalismo. Hoje em dia, mesmo que você seja um ator mediano, se você conhece as pessoas certas, você tem trabalho. Ou seja, o contrário também acontece, gente muito boa que dificilmente consegue um papel”, explica Guilherme Ródio, ator de 33 anos ainda na luta por um lugar ao sol.

Atualmente com foco na publicidade, tendo aparecido em diversos comerciais, Guilherme encontrou, por mais estranho que isso possa soar, mais oportunidades de trabalho em Los Angeles, nos Estados Unidos, do que no Brasil, mesmo o mercado lá sendo muito mais competitivo. “Passei um ano lá e, nesse tempo, senti que o mercado americano é mais profissional. A impressão é as coisas são mais baseadas no mérito do que na sua agenda de contatos. Claro que tem de tudo, mas o meu sentimento é que, no Brasil, quem é bem relacionado trabalha, e lá (no Exterior), quem é bom sempre vai ter uma oportunidade.”

O ator fala isso depois de ter sido contemplado com uma bolsa de estudos integral em uma das melhores escolas de atores do mundo, a Stella Adler Academy of Acting de Hollywood. Sua passagem por lá rendeu dois convites: integrar o respeitável grupo de teatro de Los Angeles chamado Teatro Dramma, dirigido pela venezuelana Elia Schneider, e fazer parte do corpo docente da própria Stella Adler.

“Eu sei que tive muita sorte, mas as oportunidades são reais. Mas para poder trabalhar em Los Angeles como ator eu preciso de um visto específico para isso. E, para conseguir esse visto, eu preciso de uma boa bagagem no Brasil para eles aprovarem, principalmente de trabalhos de vídeo”, explica o ator.

Para conseguir esse currículo, Guilherme voltou ao Brasil este ano e, desde então, corre atrás de trabalhos na área. “Eles precisam de projetos de câmera, que é como a gente chama. Minha carreira no teatro é sólida, participei de 17 peças de teatro e cheguei a ser estimulado pelo Antunes Filho, um dos maiores diretores de teatro do Brasil, a dar aulas. Consegui e ministrei diversas oficinas, workshops, entre outras coisas. Só que agora preciso de trabalhos em outras áreas”, afirma.

Guilherme diz que hoje vive de ser ator, mas principalmente por fazer publicidade. Além disso, gravou uma participação na minissérie Gigantes do Brasil, do History Channel (prevista para estrear em 2016), sobre a vida de Francisco Matarazzo e Giuseppe Martinelli; trabalha em webséries da Snack, rede de canais do YouTube; e dublou uma série de animação educativa chamada Professor Albert, também para a internet, prevista para estrear o ano que vem. “A profissão de ator não é fácil, mas é o que eu quero fazer e, por isso, continuo batalhando pelo meu sonho.”