Publicado 14 de Novembro de 2015 - 19h05

Às vésperas de celebrar 20 anos de carreira, o Trio Madeira Brasil, formado em 1996 por Marcello Gonçalves (violão 7 cordas), Zé Paulo Becker (violão e viola caipira) e Ronaldo do Bandolim, lança o primeiro DVD, Ao Vivo em Copacabana, fruto da parceria entre a MPB Discos, Canal Brasil e Som Livre. No show, gravado no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro, em 2013, o trio propõe uma volta à sonoridade inicial do grupo.

Por isso, diferentemente dos DVD comemorativos de praxe, recheados de participações especiais, há apenas a presença do violonista Yamandu Costa em três faixas. “A gente fez o primeiro disco, lançado em 98, mostrando mesmo a sonoridade do trio, e deu muito certo. Começaram a surgir convites e então fizemos muitas projetos (como o filme Brasileirinho, do finlandês Mika Kaurismaki, e o disco Quando Canto é Reza, com Roberta Sá). Esse DVD também partiu de um convite do Canal Brasil. Pensamos que seria o momento de buscar a sonoridade inicial e registrar isso em imagem, porque nós temos uma assinatura sonora, mas não de vídeo”, diz Gonçalves.

Para tanto, a gravação teria que ser feita ao vivo, para o violonista. “Tocar em estúdio é diferente. Existe mesmo a magia do palco, tanto que nós gravamos o ensaio, mas todos os takes escolhidos foram do show. Seria completamente diferente sem público”, diz. E, em busca desta sonoridade, Yamandu, com quem o trio tem longa história de parceria e amizade, coube coerentemente.

Gonçalves conta que eles se conheceram em 99, durante um show no Sesc Pompeia, em São Paulo, primeira grande apresentação do Madeira Brasil e também de Yamandu. “A noite abriria com o Yamandu, que também estava iniciando. Então, foi muito importante para nós todos e desde então ficamos muito amigos. Estamos sempre juntos, em diversos trabalhos, mas não tínhamos ainda registrado esse encontro”, relata.

O músico gaúcho se junta a Gonçalves, Becker e Ronaldo em Suíte Retratos (Radamés Gnattali), Danza de la Vida Breve (Manuel de Falla e Carlos Fernandes Shaw) e Fuga y Misterio (Astor Piazzolla e Horacio Ferrer). Acrescenta-se a essas músicas na composição do repertório, Bachianas Brasileiras n 2 (O Trenzinho Caipira, de Heitor Villa-Lobos), As Vitrines (Chico Buarque), Quebrando o Galho, Santa Morena, Feia e Assanhado (Jacob do Bandolim), Olha Maria (Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque), entre outras.

Segundo Gonçalves, o trio escolheu peças que se enquadrassem na ideia de arranjo de música popular de câmara. “É música popular, mas com uma abordagem camerística. Existe um diálogo constante entre os músicos. Então sempre buscamos músicas que se enquadrassem nisso. Para esse DVD especificamente, colocamos muitas músicas que não tínhamos gravado ainda, que a gente vinha tocando, já tinham passado pelo ‘azeitamento’, mas são arranjos inéditos. E, ao mesmo tempo, gravamos clássicos do nosso repertório.”

Todo o processo foi minuciosamente trabalhado, tanto que a produção consumiu dois anos. “Somos muito perfeccionistas”, diz. E por uma feliz coincidência, culminou na data de 20 anos do trio celebrada em 2016, quando o álbum estará na estrada.

Documentário

Nos extras do DVD, a cereja do bolo: um documentário de 25 minutos no qual, entre outros assuntos, os integrantes do trio falam sobre a influência recebida dos próprios colegas de formação, como o bandolinista Hamilton de Holanda dizendo que o Ronaldo é uma das referências dele. No vídeo, fotos de época e temas de Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Jacob do Bandolim completam o passeio do Trio Madeira Brasil por sonoridades que vão do choro ao tango portenho, do clássico a MPB contemporânea.