Publicado 13 de Novembro de 2015 - 19h05

Biografias podem ser escritas ou dirigidas ao sabor da visão dos autores e diretores. Não estou afirmando que a história do atleta americano Louis Zamperini tenha sido distorcida por Angelina Jolie, mas o tom de Invencível (Telecine Premium, 22h, 14 anos), de 2014, demonstra deliberado uso da licença poética. Zamperini (Jack O’Connell), promissor atleta que se preparava para a Olimpíada de Tóquio, se engaja na 2 Guerra. Sofre acidente de avião, cai no mar e, após 47 dias, é capturado pelos japoneses. Roteirizado por Joel e Ethan Coen a partir do livro Invencível - Sobrevivência, Persistência e Redenção, de Laura Hillenbrand, há notória preocupação da diretora em transformar seu personagem em herói — a começar do título. E quando isso ocorre, perde-se a humanidade. Zamperini não tem defeitos. E, uma vez preso num bote e, posteriormente, num campo de concentração, ele vira um injustiçado que é, literalmente, martirizado (cena do filme e a capa do livro o representam numa espécie de cruz) nas garras de um japonês neurótico, Mutsushiro Watanabe (Miyavi). Arrisque.