Publicado 16 de Novembro de 2015 - 5h30

Muitas vezes o jogo político pode ser comparado a um complexo tabuleiro de xadrez, onde cada movimento é cuidadosamente planejado com vista a um resultado que está muitas jogadas à frente. Em tempos de convulsão, cada fato ou declaração assume uma importância maior para o entendimento do contexto, convencionado que a cada curto período mudam as condições, e as situações políticas assumem configurações diferentes, exigindo novos lances.

A política brasileira vive um momento extremamente delicado de definições, que passam pela necessidade de reformas de base, essenciais no processo de moralização da vida pública, chegando à possibilidade de mudanças impostas por processos de cassação e impeachment das maiores figuras da República, Dilma Rousseff e os presidentes do Congresso. Por isso, é sempre grande a expectativa no início de cada semana, quando se avaliam as consequências dos passos dados e se programam os lances seguintes do jogo.

A maior expectativa para os próximos dias é em relação ao posicionamento tardio da oposição do PSDB, que finalmente assumiu a responsabilidade de romper com o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), abrindo nova frente de confronto. Cunha alertou que considerou uma “ingratidão” dos tucanos em relação a acordos anteriores e que isso se refletirá no andamento do processo de impeachment da presidente Dilma. Choca imaginar que o que seria uma demanda natural em nome da moralização do País está nas mãos justamente de quem tem contas a prestar diante da Justiça e de todos os brasileiros, sopesadas tantas acusações fundamentadas.

Cresce também a pressão pela substituição do ministro da Fazenda Joaquim Levy pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que mudaria não apenas a configuração da equipe econômica mas sedimentaria o poder que Lula vem exercendo com vigor renovado, depois que assumiu o protagonismo de tentar salvar a imagem do Partido dos Trabalhadores e a própria, visando uma sobrevida até as próximas eleições em 2018. Resta saber se Dilma Rousseff finalmente vai jogar a toalha e se render à evidência de que já não tem mais pulso para governar e apontar os caminhos para o Brasil sair desta crise que se arrasta por conta da falta de respostas a tantas perguntas que se fazem. Ainda assim, fica a apreensão por conta da temeridade dos planos a serem propostos, possivelmente sinalizando a volta de um projeto populista de curto prazo que possa comprometer ainda mais a capacidade de recuperação da economia brasileira.