Publicado 16 de Novembro de 2015 - 5h30

Lembro do Tim, um americano muito simpático que fez intercâmbio na casa dos meus pais. Ele contou uma história que ficou gravada em minha infância. Ele perdeu um irmão que entregava jornal e foi atingido por uma árvore durante uma ventania. A família dele recebia indenização da prefeitura que se responsabilizou pelo ocorrido. Recentemente tivemos um episódio semelhante em nossa cidade, um casal morreu.

A arborização é um tema complicado, ainda mais em nosso país onde as pessoas adoram criar bichos de sete cabeças, estimuladas pela ignorância. Devido ao fato de existir um grande déficit de árvores na nossa cidade, e por ser extremamente burocrático retirar uma árvore, identifico duas vertentes de opiniões claras a respeito deste assunto que, em conflito, contribuem com o bicho de sete cabeças. Ambientalistas intransigentes contra o corte de árvores devido à escassez e munícipes que odeiam árvores pelo risco e dificuldades burocráticas em manejá-las.

Meu princípio para acabar com este bicho é simples, temos que plantar e cortar árvores todos os dias. Temos que ter árvores de diferentes idades e portes crescendo lado a lado na densidade certa em uma rua, para que uma proteja a outra diminuindo a força do vento, e para que a relação tamanho da copa x tamanho de raízes fique equilibrada, uma vez que arvores crescendo próximas tendem a formar copas menores devido a disputa pelo sol. Uma árvore isolada que cresceu em um canteiro pequeno é como um barco estreito com uma vela grande, se bater um vento de lado muito forte ele vira. Além disso, com varias árvores crescendo juntas, se for cortada uma ou outra, que apresente risco, não teremos grandes impactos na paisagem.

Somente com o manejo florestal urbano priorizando, o plantio adequado de novas árvores, a condução das árvores plantadas (e não apenas podas de emergência) e a retirada sem burocracia de árvores problemáticas, teremos uma arborização saudável e com menor risco.

A prefeitura de campinas insiste em executar somente podas de emergência e pouca ou quase nenhum plantio em calçadas, que quando feito são em canteiros incompatíveis, criando verdadeiras armadilhas, pois é certo que nesta condição irão cair, lembrem-se do barco.

Recentemente observei na Avenida Antonio Carlos Couto de Barros, em Sousas, uma equipe executando a limpeza dos canteiros onde existem inúmeros Resedas plantados, dois erros gritantes foram verificados, primeiramente a existência de canteiros minúsculos, em segundo jardineiros cortando o mato, no minúsculo canteiro, com roçadeiras mecanizadas causando injúrias no colo das mudas, que já começam a crescer debilitadas por ações da própria prefeitura, repito, crescendo desta forma elas vão cair! Outro erro básico é o soterramento do colo das árvores, que apodrecem lentamente, um dia vão cair de “surpresa” também.

O secretário responsável disse em entrevista que nossa arborização é fruto de uma época onde não haviam técnicas de arborização adequadas por isso o problema. Como seria bom se ele tivesse metade do conhecimento técnico e da poesia de um dr. Hermes. Precisamos urgentemente de alguém do porte do falecido dr. Hermes Moreira de Souza (de um “google” para quem não conhece) a frente da gestão da Arborização de Campinas. Ou pelo menos alguém que more em nossa cidade, para assim ter mais tempo de observar nossas árvores e correr, junto dos campineiros, o risco de ter uma caindo em sua cabeça. Recentemente uma árvore despencou em pleno dia de sol, sem chuvas ou ventos, na frente do carro da minha esposa, mãe dos meus 3 filhos, na Rua Coronel Quirino, ninguém foi acertado por milagre. Em um simples passeio é possível identificar diversas tragédias anunciadas pela cidade, como também calçadas desertas.

Senhor prefeito, por favor, selecione gestores mais humildes, comprometidos com o plantio e manejo correto de nossas árvores, siga os exemplos de sucesso que temos na cidade, como o trabalho da ONG Resgate o Cambuí. Escolha para cargos técnicos pessoas com comprometimento e competência em gerir árvores. Tem muita calçada sem árvore e muita árvore precisando ser removida alimentando o bicho de sete cabeças. Devemos planejar e executar, ao invés de remediar.