Publicado 15 de Novembro de 2015 - 5h30

Pais e alunos foram até as escolas estaduais ontem, durante o chamado “Dia E”, em busca de informações sobre a reorganização que o governo estadual está promovendo na rede de ensino. Em Campinas, as escolas Carlos Gomes e Francisco Glicério, ambas no Centro, não abriram os portões. Diante do medo de novos protestos — como o que ocorreu na sexta-feira — a Diretoria de Ensino Leste optou por marcar nova data para dar orientações à comunidade escolar. Os alunos contestam o fim do Ciclo I, que vai do 1 ao 5 ano do Ensino Médio, e do EJA (Educação de Jovens e Adultos) no período noturno, na Carlos Gomes.

Esta semana, o Ministério Público (MP) encaminhou uma série de questionamentos para a direção de ensino de Campinas, cobrando explicações sobre o impacto que a reorganização poderá provocar na vida dos alunos. O promotor Rodrigo Augusto de Oliveira deu um prazo de dez dias para que os dirigentes de ensino Leste e Oeste expliquem pontos sobre as mudanças, dentre eles, se a medida poderá resultar em superlotação de salas de aula e se será respeitada a distância de até 1,5 km entre as escolas que terão remanejamento.

Mesmo as escolas que não passarão pela reorganização foram abertas ontem. Era o caso da escola Dona Castorina Cavalheiro, no bairro Vila Itapura, que não passará por mudanças, mas reuniu cerca de cem pais. A diretora da escola, Mônica Rondini Boscato, explicou sobre os benefícios da reorganização. “Precisamos valorizar a adequação, pois é uma forma de empregar melhor o dinheiro público”, disse a diretora aos pais.

“É interessante a ideia de separar por idade, os pequenos só com pequenos. É lógico que a localização pode se tornar uma dificuldade”, disse Gisele da Silva Prado, 36, dona de casa. Gisele, que é mãe de um dos quase 700 alunos da Castorina, acompanhava atenta às explicações. Campinas terá 16 escolas estaduais com ciclo único de ensino a partir de 1 de fevereiro do ano que vem.

Além da reorganização, aqueles alunos que deverão mudar de escola, pois estão mudando de ciclo, recebem do Estado um leque com três escolas como opções. Porém, nem sempre o aluno vai para a escola selecionada, e daí a distância ultrapassará o 1,5 km previsto na reorganização. É caso de um dos alunos do Castorina Cavalheiro. O eletricista Flávio Henrique disse que o filho está indo para o sexto ano e, no momento em que ele foi cadastrá-lo em uma das três opções, veio a surpresa. “Moramos na Rua Ferreira Penteado e dentre as opções tínhamos escolhido a Carlos Gomes e outras mais próximas. Mas ele acabou sendo selecionado em uma unidade no Taquaral. Ou seja, o custo com o transporte vai pesar no fim do mês”, criticou. A diretora disse ao eletricista que no momento em que for matricular o filho na nova escola haverá a oportunidade de comunicar o desejo de troca.

Em Campinas, na única escola que irá fechar a partir de fevereiro do ano que vem, o movimento de pais e alunos na Sebastião Ramos Nogueira, no bairro São Bernardo, foi tranquilo. Segundo a diretora Lilian Leonardo, a maioria dos alunos será transferida para a escola José Maria Matosinho, no mesmo bairro. A Sebastião aparece na lista das 30 que serão fechadas e que tiveram desempenho superior à média do Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação (Idesp) 2014, em pelo menos um ciclo de ensino. “Vai ser difícil fechar a escola. Toda a comunidade tem alguma lembrança daqui. Quando tem eleição todos se encontram, vários casais se conheceram aqui. São memórias”, disse a diretora, que também avaliou como positiva a reorganização na rede.

Atrasada para a reunião, a aluna Karina Mercham, de 15 anos, chegou com os pais direto do Jardim Aeronave, região do Ouro Verde, para informações sobre a mudança. “Ela quer ir para o Matosinho, mas podíamos tentar uma vaga mais próximo do nosso bairro”, disseram os pais. “Eu acordo às 5h30 e pego dois ônibus até chegar. Vou continuar fazendo isso”, disse a estudante, que prefere ficar próxima das amigas, que também vão estudar no São Bernardo.

Cidade teve queda de 5,4 mil alunos na rede em 4 anos

De acordo com dados da diretoria de ensino Leste de Campinas, nos últimos quatro anos houve uma queda de 5.464 alunos na rede estadual. A maior perda de alunos foi entre os anos de 2013 e 2014, quando houve queda de 1.683. Para a reorganização, a Secretaria de Estado da Educação utilizou como base o levantamento realizado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que apontou tendência de queda de 1,3% ao ano da população em idade escolar no Estado de São Paulo. Entre os anos de 1998 e 2015, a rede estadual de ensino perdeu 2 milhões de alunos. A Educação afirma que vai criar mais 754 escolas de ciclo único, focadas em uma única faixa etária. Assim, 2.197 escolas em todo o Estado (43% do total) passarão a funcionar neste modelo a partir de 2016. (GA/AAN)