Publicado 15 de Novembro de 2015 - 5h30

Nesta semana Érika Rodrigues faria 39 anos, e seu bebê estaria com dois meses de vida. Amanhã, serão completados oito meses sem nenhuma pista sobre o paradeiro da psicóloga, que pode ter sido arrastada com seu veículo Ford Ka para dentro do Córrego Piçarrão, durante forte temporal em março, em Campinas. Até que novas linhas de busca sejam apresentadas, as investigações seguem paralisadas na Polícia Civil. “Mas meu coração de mãe diz que minha filha não estava naquele carro quando ele caiu no córrego”, disse a mãe de Érika, Aparecida Vicentine Ferreira, de 63 anos.

Na terça-feira passada Érika completaria 39 anos. Nas redes sociais, a mãe publicou a mesma foto — onde as duas estão abraçadas — que um ano atrás a filha postou. Ela também reescreveu mesma frase que Érika tinha divulgado: “Esse é o abraço mais esperado do dia”, publicou. “E eu estou esperando, todos os dias. Tenho muita fé em Deus que ainda vou dar um abraço na minha filha antes de morrer. Eu tenho certeza que ela não me deixaria.” Aparecida mistura choro de emoção, mas um sentimento carregado de convicção latente de que a filha não estava naquele carro. Na terça-feira, o irmão de Érika acordou e a primeira coisa que fez foi chorar. “Ele passa por tratamento com psiquiatra. Sente muito a falta da irmã”, disse Aparecida.

Apesar do Setor de Homicídios e de Proteção à Pessoa (SHPP) de Campinas informar que todas as hipóteses de investigações foram esgotadas e que nenhuma evidência de que Érika possa estar viva surgiu até o momento, familiares ainda acreditam que muitas peças do quebra cabeça não foram encaixadas. A mãe diz ter a plena convicção de que Érika não ousaria passar pelo ponto onde o carro foi arrastado para o Piçarrão — na Avenida Doutor Carlos de Campos, ao lado do Curtume. “Assim como naquele ponto como na Amoreiras, onde um tio dela foi arrastado pela enxurrada (mas não morreu), ela não iria passar. Eu a conheço”, garantiu. Outro detalhe é a bolsa, que até agora não apareceu. “Ela enroscava a bolsa atrás do banco dela. Não é possível que não tenha sido encontrado nenhum utensílio, um documento, ou a própria bolsa laranja grande”, disse a mãe.

Homens do Corpo de Bombeiro de Campinas e Piracicaba realizaram buscas em dezenas de quilômetros, por pouco mais de um mês. Em 10 de abril deste ano, em uma súplica ao poder público, Aparecida enviou um ofício ao prefeito Jonas Donizette (PSB) solicitando o retorno da Guarda Municipal e os cães farejadores nas buscas pela psicóloga. As buscas ainda estavam em curso nessa época. “Peço humildemente que seu coração de pai entenda o que estou sofrendo, pois há 24 dias não sei o que é dormir”, escreveu a mãe no documento.

O caso

No dia 16 de março, Érika atrasou alguns minutos para sair da empresa de empilhadeira onde trabalhava, no Jardim do Lago, e ligou para o marido William de Barros, de 35 anos dizendo que o temporal a fez atrasar. Depois, ligou novamente para o analista contábil informando que estava parada em frente a uma escola, no bairro São Bernardo, aguardando a intensidade da chuva diminuir. Depois dessa ligação não houve mais contatos. As ligações foram rastreadas pela polícia, que afirma não ter nenhuma evidência fora da normalidade. “A saudade é muito grande”, disse Willian. O casal morava fazia um ano em uma casa alugada em Sumaré, e depois de tudo, o marido mora com a mãe, e também passa por tratamento. “Estou em psicóloga e psiquiatra, e a saudade é imensa.” Para ele, a polícia fez o que podia até o momento.

“Nunca me magoei com a minha filha. Se alguém me ligar para trocar minha vida pela dela, e vou agora. Mas eu tenho certeza de que vou encontrá-la antes. Alguém pegou a minha filha”, finalizou Aparecida.