Publicado 15 de Novembro de 2015 - 5h30

A menos de um ano da eleição municipal, o cenário em Campinas é de indefinição sobre o principal nome que fará frente ao prefeito Jonas Donizette (PSB) nas urnas. Até o início do primeiro semestre, seu adversário natural era Marcio Pochmann (PT), que levou a disputa para o segundo turno em 2012. A incógnita, no entanto, não está relacionada à falta de um concorrente, mas atrelada às composições ainda em andamento e mudanças importantes na campanha eleitoral, como o veto ao financiamento privado.

Com a janela aprovada na reforma política, o terreno incerto deve permanecer até março do ano que vem, prazo para a troca de partido. Dos nomes já colocados, além de Pochmann, estão Pedro Serafim (PRB) e Artur Orsi (PSDB). O ex-prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT) também afirmou que seu partido terá candidato.

Jonas é favorito no momento e por razões já conhecidas. Tem a máquina pública nas mãos, um eleitorado fixo na cidade e poderá mostrar vitrines do governo caso termine sua gestão bem avaliado. O secretário de Relações Institucionais, Wanderley Almeida, articulador político do governo e da campanha, tem trabalhado para unir os partidos que hoje estão na aliança e buscar novos parceiros para o projeto de reeleição. A mais recente conquista foi o PMDB, que passou a integrar o Executivo no primeiro escalão. Mas ainda não existe garantia absoluta de que a legenda estará na composição de 2016.

Rivais dos peessebistas acreditam que o cenário idealizado pelo grupo de Jonas é não enfrentar outra candidatura de peso que não seja do PT, partido desgastado nacionalmente, para não correr o risco de ver a disputa seguir para o segundo turno. Mas o que se desenha na cidade é uma eleição com, pelo menos, seis prefeituráveis, o que inclui representantes de partidos como PSOL, PSTU e de legendas menores que ainda formatam lideranças.

A maioria das siglas hoje compõe com o governo Jonas. O principal aliado é o PSDB, que ocupa diversas secretarias e a vice-prefeitura. Os tucanos, por sua vez, devem barganhar ainda mais espaço, já que o principal nome da legenda, o do deputado federal Carlos Sampaio, no holofote da oposição ao governo Dilma, seria uma ameaça real ao projeto do PSB. A disputa interna mais intensa no PSDB neste momento é pela vaga de vice, que hoje está com Henrique Magalhães Teixeira. O vereador Marcos Bernardelli figura entre os interessados. Sampaio tem declarado que está com Jonas e que não haverá mudanças neste cenário.

Definições

Outra candidatura de provável consolidação em 2016 é a do vereador Artur Orsi (PSDB), mas não pelo grupo tucano. Orsi negocia sua filiação ao PSD de Gilberto Kassab e tem mantido conversas com dirigentes nacionais da Rede de Sustentabilidade, de Marina Silva. Após romper com o partido, por discordar dos caminhos tomados pelo governo Jonas, o ainda tucano busca novos rumos. “A minha vontade é de ingressar na disputa ao cargo de prefeito no ano que vem. Nós queremos dar à população uma opção aos grupos que atualmente dominam a corrida eleitoral em Campinas. Queremos mostrar um novo projeto para a cidade”, afirmou o parlamentar. Até agora a negociação mais avançada é com o PSD. Orsi participou de diversos encontros com Kassab e com o presidente nacional da sigla, Guilherme Campos.

O ex-prefeito Pedro Serafim, que deixou o PDT e a agora integra o PRB, ainda é cotado para ingressar no rol de prefeituráveis. No entanto, Serafim sofre uma resistência e, dessa vez, não é política. É a família do ex-prefeito que não quer vê-lo na corrida eleitoral. Caso a candidatura dele não emplaque, o PRB trabalha com outras possibilidades. Uma delas é a candidatura da colunista social e apresentadora Betty Abrahão, que vem sendo assediada para ingressar ao partido. O objetivo da candidatura própria seria fortalecer a sigla na cidade.

O deputado federal Roberto Alves (PRB-SP) acredita que Serafim tem a intenção de ser candidato a prefeito, porém não há nada definido. Alves confirmou que esteve com Betty Abrahão e que, na ocasião, fez o convite para que ela se filiasse ao PRB. Porém, ficaria a critério da própria Betty disputar algum cargo político, segundo o deputado. Serafim não fala abertamente sobre sua candidatura e nem da resistência familiar. Disse apenas que a decisão será tomada dentro da legenda. “Nós temos no partido um projeto de candidatura própria e vamos buscar o melhor caminho.”

Retomada

A aposta em relação a Hélio é que ele vá para a disputa, mas como está inelegível pela cassação e por contas reprovadas, fique até o último momento e, depois, coloque outro nome em seu lugar. Pelas novas regras, caso não obtenha o deferimento do registro, ele deve deixar a campanha até 20 dias antes do pleito. Porém, a lei permite que ele apresente o pedido e que recorra em todas as instâncias.

Hélio retomou o controle do diretório do PDT de Campinas recentemente e promoveu diversas mudanças internas no partido. Questionado sobre sua candidatura, mesmo estando inelegível, o pedetista desconversou. Disse que é cedo para a tomada de decisões e preferiu adotar um discurso de soluções para problemas na cidade e no Estado. “Campinas não é uma ilha. A cidade sofre impactos da crise nacional. Não estamos no melhor cenário para falar sobre eleição, o que precisamos é discutir saídas”, disse. O ex-prefeito falou sobre os nomes ventilados para compor com ele uma chapa majoritária, como Sergio Benassi (PCdoB), que considerou “excelente”, e o seu colega de partido, o vereador Luis Yabiku. “O PDT terá candidato, ainda não sei qual e não estou preocupado. Nós temos mais de 1,2 mil filiados. Podemos escolher dentro e fora do PDT”, disse.

Hélio se elegeu prefeito em Campinas duas vezes e teve seu mandato cassado em 2011 pela Câmara, após vir à tona o maior escândalo político da história da cidade, o Caso Sanasa, que ainda aguarda julgamento. Sua mulher, Rosely Nassim Jorge Santos, foi acusada pelo Ministério Público de comandar um esquema de fraude em licitação e corrupção na empresa pública.

PT luta contra desconfiança do eleitorado

O PT no próximo ano enfrentará desafios na corrida eleitoral. Isso porque a sigla amarga uma profunda crise que levou ao colapso o governo da presidente Dilma Rousseff. Desde 2012, quando conseguiu emplacar o economista Marcio Pochmann no segundo turno, o PT de Campinas trabalha para resgatar as raízes do partido, as discussões nas comunidades, nas bases. O presidente da sigla, Casemiro Reis, disse que as reuniões são frequentes e que houve avanços.

A informação de que a campanha de Pochmann contou com dinheiro de propina, que veio à tona recentemente em meio às investigações da Operação Lava Jato, poderá criar desgastes para o economista. O PT e Pochmann rebatem a informação e afirmam que todos os recursos da campanha foram legais e declarados. Caso o economista desista do pleito, outros nomes foram ventilados por militantes e também por integrantes de legendas afinadas ao PT, que poderiam compor a chapa em 2016, entre eles o do presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, e do ex-secretário de Saúde Gastão Wagner de Sousa Campos. “São dois excelentes nomes do nosso quadro, mas nenhum dos dois manifestou o interesse. Nós temos total confiança numa candidatura de Pochmann”, afirmou Reis. O PT tem pleno conhecimento da crise vivida pelo partido e não descarta uma eventual aliança para compor uma chapa majoritária.

Segundo Reis, o objetivo principal é derrotar o atual projeto político da cidade que, para eles, não é o ideal. O presidente afirmou que o nome de um candidato a prefeito do PT será

colocado dentro de uma discussão com representantes de diversos movimentos sociais e de partidos. “Nós podemos ter um cenário diferente dentro dessas discussões e pode ser que outros nomes apareçam”, disse o presidente. (MM/AAN)

Para analista, prefeito sai na ‘dianteira’ na corrida

Mesmo instável, o cenário político atual é desfavorável ao PT, segundo o professor de ciências políticas da PUC-Campinas Pedro Rocha Lemos. Para ele, o bombardeio contra os petistas e a grave crise econômica no Brasil vão impactar na próxima eleição. “É inegável que o PT sai em desvantagem, caso a situação econômica não melhore no Brasil. E existe pouco tempo para essa recuperação. O provável é que os petistas enfrentem resistências de todos os lados, até para compor suas alianças”, disse. Por outro lado, o professor acredita que a polarização de ideias, debates entre conservadores e progressistas, pode começar a ter reflexos nas urnas e garantir uma análise entre os eleitores sobre qual projeto político querem que seja vitorioso nas urnas.

“O que o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez foi deixar claro que é um representante do discurso conservador e isso fez com que diversos movimentos ganhassem as ruas. Desagradou especialmente as mulheres. Então, acredito que já nesta eleição teremos uma discussão de candidatos nesse sentido. O que aconteceu na Câmara de Campinas também foi muito forte, teve repercussão internacional. Acredito que o eleitor estará atento aos representantes que vão ocupar esse espaço nos próximos quatro anos”, disse o docente. Sobre os prováveis candidatos, pelo atual cenário, Lemos enxerga o favoristimo de Jonas neste momento da disputa. Segundo o professor, além de ter a máquina pública, o peessebista manteve o governo estável, apresentou projetos e obras e sai na dianteira. “É claro que temos problemas na cidade, mas de qualquer forma o prefeito fez uma projeção de Campinas e terá essa vantagem no início da campanha”, disse. (MM/AAN)