Publicado 15 de Novembro de 2015 - 5h30

O surgimento de animais silvestres nas áreas urbanas tem se tornado frequente, uma resposta à quebra do equilíbrio ecológico e ocupação dos espaços das matas. Com a falta de alimento e mesmo de corredores para o trânsito, eles acabam por ocupar as ruas e praças, especialmente no entorno de lagos e cursos d'água. Com os bichos, vêm os inconvenientes de uma convivência nem sempre saudável e segura, provocando as mais variadas reações que vão do medo à agressividade.

Pelas drásticas alterações em seu habitat, as capivaras têm sido avistadas com muita frequência nos espaços urbanos, atraídas pelos parques e lagoas que reproduzem em parte seu ambiente natural. Por serem dóceis e atraentes, costumavam incorporar-se à paisagem sem maiores problemas, até que passaram a ser associadas à disseminação da febre maculosa, transmitida por um carrapato. Com o alto risco potencial de sua presença, transformaram-se em vítimas da ignorância e despertaram um ódio irracional que tem levado à sua morte de formas brutais e sem sentido. Confundidas como transmissoras da doença – e sem programas de saúde pública que possam isolá-las adequadamente no período de contaminação – os animais passaram a ser mortos sem critério pela população, por espancamento nas ruas (Correio Popular, 10/11, A4). Em outro caso contestado, promoveu-se o abate em área próxima ao conjunto Alphaville, que acabou embargado pela Justiça.

É preciso que o problema da presença de animais silvestres em solo urbano seja resolvido com medidas técnicas e abordagens planejadas, com remanejamento de bandos e sistemas de prevenção. No caso das capivaras, que levam o agravante de serem um dos portadores de carrapatos contaminados, há que se ter uma intervenção mais firme e radical, que não se limite ao simples abate dos animais, embora isso possa ser necessário em algumas situações, tampouco se ignore o risco de contaminação e morte de pessoas. O limbo da ignorância em relação ao assunto é responsável por atitudes despropositadas, cruéis até, que correspondem a crime ambiental e uma forma de barbárie que poderia ser combatida com um trabalho sério de isolamento da espécie e uma abordagem educativa da população, evitando a disseminação de um medo infundado que resulta em ações impensadas. A desorientação da população é patente, mas não podem ser toleradas manifestações fundamentadas em preconceito e falta de conhecimento técnico, e isso cabe a todas as espécies encontradas. A irracionalidade deve ser deixada para os animais. Mas a saúde humana é a prioridade.