Publicado 14 de Novembro de 2015 - 5h30

A qualificação da cobertura da imprensa sobre a educação, o espaço dedicado ao tema pelos veículos de comunicação e a forma como ele é ocupado permearam o debate promovido ontem durante o encerramento da 6 Semana da Educação de Campinas, promovida pela Fundação Feac, no âmbito do Compromisso Campinas pela Educação (CCE). Com o tema “O papel da mídia nos desafios da educação”, jornalistas, professores e especialistas na área de educação levantaram as problemáticas que envolvem uma cobertura cada vez mais aprofundada do tema e que coloquem em evidência a educação como um tema estruturante e como um direito de fato da sociedade. Eles também apresentaram propostas para o tema ganhar a agenda não apenas dos veículos, mas da sociedade.

O evento teve a mediação do jornalista José Pedro Martins e comentários do jornalista e professor Fabiano Ormaneze. José Pedro destacou a educação como um direito fundamental de todos e que o tema passou a ter mais visibilidade no Brasil a partir da Constituição de 88 e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele também chamou a atenção para a necessidade dos veículos avançarem nas pautas de educação e não ficarem presas a indicadores oficiais sobre o setor. Para Ormaneze, a educação ainda não se transformou em uma pauta social. “A sociedade ainda não entende educação como um direito assim como ela já entendeu que a saúde é. Por conta disso, muitas vezes a imprensa dedica menos espaço a essa cobertura, justamente porque ainda não encontra uma ressonância na sociedade.”

Propostas

Representando o Compromisso Campinas pela Educação (CCE), Luís Norberto Paschoal provocou os participantes a apresentarem ideias e propostas para que a educação ganhe a agenda da sociedade. O jornalista e diretor de comunicação da Câmara Municipal de Campinas, Dejota Carvalho, propôs abrir espaço para levar a próxima Semana de Educação para o Legislativo. Propôs ainda a criação de uma agência mediada pela Fundação Feac para filtrar e fazer com que as boas experiências desenvolvidas nas escolas cheguem aos meios de comunicação. Os jornalistas propuseram a criação de um prêmio que valorizasse as boas práticas e experiências desenvolvidas na área de Educação, além de cursos e oficinas para professores e alunos transcenderem os muros das escolas através de uma mídia digital.

Todas as ideias foram acolhidas pelo CCE, que deverá trabalhar para implementá-las, segundo Paschoal. “Essa semana foi para mim emocionante porque a cidade de Campinas acolheu a semana de maneira fantástica. A mídia acolheu. As presenças foram marcantes. Sempre alguém trouxe ideias novas e conceitos novos. Os próximos passos agora serão na direção de implementar as propostas discutidas na semana”, disse.

Ainda sobre o debate, o superintendente da Fundação Feac, Arnaldo Rezende, reforçou que se os agentes que produzem a notícia não estiverem aptos a receber as notícias, elas não terão eco. Ao final do debate, Rezende disse que o evento propiciou um ambiente em que foi possível compreender a dinâmica do trabalho da mídia, das limitações e, do outro lado, da angústia de educadores verem a educação ser tratada com maior visibilidade. “Acho que daqui para frente, além de vislumbrar mais matérias, mais conteúdos, um passo antes é como nos conhecermos melhor e nos qualificarmos melhor, aprendermos mais o que precisamos fazer para a mídia e a mídia entender melhor o que estamos falando”, completou. (Inaê Miranda/Da Agência Anhanguera)