Publicado 14 de Novembro de 2015 - 5h30

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Estado revê fechamento em Piracicaba

A Secretaria de Estado da Educação recuou pela primeira vez e revogou o fechamento de uma das 94 escolas no processo de reorganização do ensino paulista. A Escola Estadual Augusto Melega, em Piracicaba, continuará funcionando como unidade da rede. A escola entrou na mira da reorganização da gestão Alckmin que prevê um aumento das unidades de ciclo único e fechamento dos colégios com excesso de classes ociosas (sem alunos). O recuo aconteceu após pressão da comunidade rural, de mães de alunos e estudantes da escola no Ministério Público e na Diretoria de Educação de Piracicaba. “Fomos atrás dos nossos direitos. Em uma escola que está a pelo menos oito quilômetros de outras unidades, não podemos admitir a possibilidade de fechá-la. É a única escola nesta região”, afirmou uma das líderes do grupo de mães, Alexsandra da Silva Soveges. “Ao aprofundarmos o estudo e conversarmos com a comunidade, percebemos que se tratava de uma escola rural com características muito peculiares. Atende basicamente filhos de trabalhadores de um pequeno bairro rural e de pessoas que moram em fazendas. Isso nos levou a rever a nossa posição”, disse o diretor regional de ensino de Piracicaba, Fábio Augusto Negreiros. Segundo o Censo Escolar de 2014, a escola possuía 165 alunos no Ensino Fundamental e 77 no Ensino Médio. A outra unidade que estava prevista para ser fechada, Antonio do Mello Cotrim, continuará fazendo parte da reorganização. Segundo o dirigente de ensino, o colégio foi pedido pela Prefeitura e deverá ser transformado em creche. (Agência Estado)

Oito unidades são ocupadas por alunos na Grande SP

A Polícia Militar confirmou a ocupação de oito escolas por estudantes contra a reorganização da rede estadual de ensino ontem na Grande São Paulo. As diretorias de ensino iniciaram negociações para a liberação das unidades. A Escola Estadual Professor Pio Tellex Peixoto, em Jaguará, zona oeste de São Paulo, foi a última trancada pelos alunos, à tarde, mas o movimento era pacífico. Mais cedo, a Escola Estadual Dona Ana Rosa de Araújo, no Butantã, também zona oeste, foi ocupada. Os alunos entraram e trancaram o colégio.

No ABC paulista, a Escola Estadual Valdomiro Silveira, em Santo André, foi ocupada na noite de anteontem. Segundo a PM, integrantes da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes) de Santo André invadiram o pátio e o estacionamento da escola por volta das 18h30. Está previsto o fechamento da unidade após a implantação das mudanças na rede pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

Na manhã de ontem, os estudantes trancaram a escola com correntes e cadeados e impediram a entrada de funcionários e professores. O governo do Estado conseguiu uma liminar para a reintegração de posse do prédio da Escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste, que chamou a atenção pela forte presença da PM no entorno.

A medida liminar obtida pelo governo vale para todas as escolas da Capital — também houve ocupações na Escola Estadual Castro Alves, na Vila Mazzei, zona norte, e na Presidente Salvador Allende Gossens, em José Bonifácio, zona leste. A Procuradoria-Geral do Estado não informou como vai atuar sobre as ocupações em outras cidades — uma unidade foi tomada em Osasco, a Escola Estadual Professora Heloisa de Assumpção, e outra em Diadema, a Escola Estadual Diadema.

Três alunos deixaram, por volta das 15h, a escola Fernão Dias Paes para ir à audiência de conciliação com a Secretaria de Educação no Tribunal de Justiça. Houve confusão na saída porque apenas uma conselheira tutelar pôde acompanhar os alunos. As advogadas dos jovens não puderam entrar no veículo. Os manifestantes cercaram o veículo e houve confusão com a polícia. O carro precisou avançar sobre os manifestantes. Segundo a capitão da PM Cibele Marsolla, as advogadas não foram impedidas de acompanhar os alunos, mas haviam acordado antes com as conselheiras que iriam em carros separados. “Como estava com muita gente por perto, muitos jornalistas, elas começaram a gritar que queriam ir junto e estavam sendo impedidas.” (Agência Estado)