Publicado 13 de Novembro de 2015 - 5h30

Moradores da região do Jardim Santana, em Campinas, criticam a desativação e destinação dada uma escola estadual no bairro e reivindicam um novo uso para o prédio. A EE Professor Geraldo Alves Corrêa foi fechada no fim do ano passado para abrigar um arquivo do Estado. A população quer que o espaço se torne uma unidade infantil municipal e, assim, consiga zerar o déficit de crianças que precisam de berçário naquela região. A secretária municipal de Educação de Campinas, Solange Pelicer, informou que está em processo de negociação com o Estado para avaliar a viabilidade ou não de utilização do local.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Núcleo Residencial Gênesis, Willian Gonçalves Martins, em toda a região Leste, incluindo os bairros Santana, Gênesis, Nilópolis e Getúlio Vargas, entre outros, o déficit até setembro deste ano era de 80 a 90 vagas. Segundo Martins, em setembro do ano passado, ele apresentou um levantamento para a Secretaria de Educação de Campinas, mostrando três possíveis áreas para construção de novas creches. “Esse levantamento fizemos a partir do pedido da própria Secretaria de Educação. Na época, nos informaram que era impossível ampliar o número de vagas porque não havia espaço para construir novas unidades e nos pediram indicações de áreas. Sendo assim, fizemos um levantamento detalhado e apresentamos três possibilidades”, disse o presidente.

Segundo Martins, o documento — com mais de 300 assinaturas colhidas entre os moradores — foi entregue na Secretaria de Educação em setembro de 2014. “Não obtivemos respostas até o momento”, reclama Martins. “Uma opção para suprir esse déficit seria utilizar essa escola desativada. Isso iria ajudar muito as mães, que hoje não têm onde deixar seus filhos recém-nascidos”, disse. Uma quadra teve a cobertura inaugurada há poucos dias de ser fechada, segundo o presidente da associação.

A escola estadual foi desativada no ano passado, segundo Nivaldo Vicente, dirigente regional de ensino de Campinas (região Leste), porque não tinha demanda de alunos. “Havia somente quatro turmas e 62 alunos do 6 ao 9 ano do Ensino Médio”, afirmou o dirigente. Os alunos foram remanejados para a Escola Estadual Moacyr Santos de Campos, no Jardim Nilópolis. Hoje, a escola se transformou em um “núcleo de vida escolar”, ou seja, arquiva 77 mil históricos de ex-alunos de unidades do Estado que já fecharam em Campinas.

Quanto à quadra, o dirigente informou que ela não está abandonada. Se acordo com Vicente, ela é utilizada pela comunidade e há uma pessoa responsável pela chave do local. “A Prefeitura nos procurou quando a escola foi fechada e nos colocamos à disposição”, disse. Desde então, afirmou, a municipalidade não entrou mais em contatado com a Secretaria de Estado da Educação para tratar sobre a utilização do espaço. Vicente garantiu que o fechamento da escola não faz parte da reorganização no ensino que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) está colocando em prática.

A secretária Solange Pelicer disse que demonstrou interesse em avaliar se é possível transformar em creche a escola e que a parte interna é adequada para receber crianças. “Está em processo de negociação”, disse. Quanto ao documento apresentado pela associação de moradores, Solange afirmou que não teve acesso e acredita que uma cópia esteja em análise na diretoria de arquitetura escolar da secretaria. “Esse documento não chegou ao meu gabinete”, disse.

Sobre o déficit de vagas, a secretaria informou que uma nova análise de demanda está sendo feita a partir do planejamento do ano que vem. Ela informou que o déficit de vagas para crianças de 1,5 ano a 3 anos foi zerado na região Leste, mas reconhece que ainda há demanda naqueles bairros.