Publicado 12 de Novembro de 2015 - 5h30

Todos os partidos políticos têm, em sua essência, o objetivo principal de alcançar o poder e os mais altos cargos da nação, como forma de sedimentar suas propostas de governo e seu programa ideológico. É bem verdade que, na realidade brasileira, os planos de poder se sobrepõem a qualquer esboço de ideologia programática, dando mostras de que o que realmente importa é exercer o controle da vida política e impor suas propostas contra os adversários. Não surpreende que a percepção popular tenda a não dar importância à estrutura partidária. As alianças impensáveis, os acordos improváveis e as aproximações oportunistas tornam difícil um elo coerente desde as ações em nível federal até as bases dos municípios. No fim, o que resta é um sistema de representação viciado, baseado mais em personalidades que em ideias.

Depois de disputar e vencer quatro eleições presidenciais sucessivas, o Partido dos Trabalhadores está para colher a sua parte de rejeição pelo eleitorado. Não se trata apenas da fadiga de imagem que os partidos costumam ter, um desgaste natural provocado por tantos anos no poder acumulando desacertos que fazem parte da ação política. O PT paga por ter contrariado todo um discurso moralista e de transformação que o caracterizou – e conseguiu cooptar apoios em vários segmentos sociais – e chegado ao máximo da hipocrisia ao vencer as últimas eleições com mentiras deslavadas. Junte-se a isso os escândalos do mensalão e petrolão, e está formado o caldo de rejeição de grande parte da sociedade.

Segundo pesquisa recente do Ibope, 38% dos entrevistados apontaram a legenda de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff como aquela de que menos gostam, seguidos pelo PSDB com 8% de rejeição e o PMDB, com 6%. Em 2014, antes das eleições, o PT gozava de 43% de avaliação favorável e muito favorável; agora este percentual é de apenas 23%, atestando o alto desgaste do governo neste ano, depois da empulhação eleitoral. Se o quadro é desolador para o PT, não tão melhor para os demais partidos de maior expressão no País. Os tucanos também têm hoje uma imagem pior do que em 2014. Segundo o Ibope, a soma de opiniões “desfavoráveis” e “muito desfavoráveis” sobre a sigla chega a 50%, contra 45% do ano passado.

Enquanto se discute a possibilidade de reais mudanças na política, o País derrapa em seus fundamentos políticos mais essenciais, que é a estrutura de representação popular, exigindo uma reforma realmente profunda. Este é um quadro que aponta para uma grave dificuldade que impõe uma pauta de debates urgente.