Publicado 12 de Novembro de 2015 - 5h30

Gosto de boxe, judô, luta livre, mas não consigo ver dez segundos de MMA. Na madrugada do último domingo, liguei a tevê para chamar o sono e vi Vitor Belfort, brasileiro, ganhar do americano Dan Henderson em poucos segundos de luta. E como campeão, fez um discurso digno de um bom brasileiro e cidadão, dizendo em poucas e boas palavras que os brasileiros devem pôr um fim à impunidade dos ladrões da Pátria. No dia seguinte, li na Internet a íntegra do seu desabafo, pois desabafo foi: "Quero agradecer ao povo brasileiro que ficou acordado até de madrugada para me apoiar, no meio desta crise, com esse governo corrupto que precisa acabar. Fora, governo corrupto! Consciência, Brasil! A consciência de vocês tem que estar bem atenta agora, porque é o momento de mudança. Estou aqui para provar isso: você às vezes cai, mas cai de cabeça para cima. E a gente se levanta".

MMA é uma luta que não gosto. Mas gostei do recado do campeão: os corruptos têm de ser levados ao córner da lei e derrubados por processos democráticos. E que isso sirva de exemplo a muitos brasileiros que se acham cansados da rotina de lidar com notícias sobre corruptos petistas, empichamento da presidente Dilma, inflação chegando a dois dígitos, o Brasil crescendo como rabo de cachorro sarnento e, ainda por tudo, e por cima, ter que aturar as bravatas e covardia política do maior mistificador político que a república brasileira já conheceu: Lulla da Sillva.

E o mar de lama que destruiu metade da histórica cidade mineira de Mariana é emblemático. Minas Gerais não tem mar e um tsunami de irresponsabilidades empresarial e administração política varreu do mapa sabe-se lá quantas casas, quantos sonhos, quantas vidas. A mineradora Samarco Mineração S.A é propriedade da Vale S.A e de uma empresa anglo-australiana BHP Biliton, cada uma com 50% das ações da empresa. Dilma Rousseff, ex-ministra das Minas e Energias, deve explicações ao povo de Mariana e, é claro, a todos os brasileiros: como o governo federal permitiu que a Samarco produzisse mais que a sua capacidade de segurança industrial? Não houve fiscalização adequada ou apenas incompetência burocrática? Ou apenas lucro e impunidade?

O mar de lama que quase varreu Mariana do mapa é emblemático. Temos lama no Judiciário; na Presidência da República; na Câmara Federal; no Senado; e até mesmo no mais remoto município do País. Há um mar de lama na política brasileira. O menor vereador da mais recôndita cidade do País está lá apenas para fazer valer a sua arrogância político-social, ascender-se e conquistar sabe-se lá o que, visto que ele é apenas um fiel depositário de si mesmo, e jamais será o que determina a democracia: um cidadão a doar seus valores morais a uma comunidade que o elegeu para tanto.

Não faço a menor ideia se a Operação Lava Jato conseguirá lavar o Brasil de tanta sujeira. Mas não desanimo. E muitos dos amigos que encontro pelas ruas da minha cidade estão animados com a luta política que se trava para tirar o petismo do poder. É só uma questão de tempo para que os demagogos do populismo de esquerda desapareçam dos anais da nossa república. Fizemos isso com Collor, se bem me lembro, e o País saiu de uma inflação de três dígitos para se reequilibrar economicamente. Lulla sempre foi contra isso. Virou presidente e o mar de lama das suas irresponsabilidades administrativas está varrendo do mapa o Minha Casa Minha Vida e os sonhos de milhões de brasileiros que acreditaram que o Bolsa Família seria eterno. E eis o Brasil pior do que já era em 1940, em qualquer análise que se faça em economia e política.

Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque de Holanda, nomes maiores da nossa música popular, bem poderiam seguir suas carreiras e parar de externar besteiras analíticas sobre o processo político de esquerda que impede que brasileiros honestos trabalhem e estudem, estudem e trabalhem. Que eles fiquem com seus bem pagos banquinhos e violões e deixem que as bancadas das fábricas sejam ocupadas por trabalhadores que bem conhecem o ofício da vida, da sobrevivência profissional, daquele arranjar um jeito para ser feliz no churrasquinho do bar da esquina.

Bom dia.