Publicado 11 de Novembro de 2015 - 5h30

A nona edição do Prêmio RAC-Sanasa de Responsabilidade Ambiental contemplou ontem os seis vencedores de 2015, três da categoria Público/Privado e três do Terceiro Setor. O encontro, no Vitória Hotel Concept, reconheceu as ações e ratificou o fato de que a mobilização para preservar a natureza pode vir de todos os lados. “Quando temos boas ideias, essa boas ideias precisam ser incentivadas e o Prêmio RAC-Sanasa faz isso”, afirmou o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), durante o evento, que contou também com as presenças de Henrique Magalhães (PSDB), vice-prefeito; Rafa Zimbaldi (PP), presidente da Câmara, e outras personalidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Ao mergulhar nas inúmeras iniciativas apresentadas durante quase uma década, ficou provado que Campinas tem feito a sua parte mesmo antes da sustentabilidade ter se tornado uma obrigatoriedade. A parceria entre o Grupo RAC e a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) é sinônimo de sucesso que inspira novas iniciativas em defesa da vida.

Para Sylvino de Godoy Neto, diretor-presidente do Grupo RAC, depois de nove anos revelando trabalhos extraordinários no campo da preservação ambiental, o projeto RAC-Sanasa deixou de servir apenas como pauta exemplar aos voluntários da RMC. “Hoje, ele já pode ser considerado como um verdadeiro manual de procedimentos inovadores para todos os cidadãos brasileiros. O projeto tem crescido não só na quantidade de trabalhos inscritos, como também na qualidade e criatividade das ações, que inspiram o fortalecimento do espírito de cidadania aplicado à preservação do meio ambiente. Também tem ajudado a população a entender as razões do desequilíbrio, que espero ser passageiro, e incentiva pessoas e organizações em geral a encontrar formas de combatê-lo”, afirmou Godoy Neto.

Segundo Arly de Lara Romêo, presidente da Sanasa, ao longo de quase uma década, essa parceria se mostra altamente positiva e de grande alcance social. “É marcante essa contribuição para uma nova conscientização da importância e preservação do meio ambiente. É impressionante o interesse demonstrado pela sociedade sobre esse tema. Por outro lado, é triste pensar e constatar que o mundo poderia apresentar outra realidade. A televisão mostrou na última semana a degradação do meio ambiente no mundo e até nos oceanos. Em que pese tudo isso, penso que há em curso uma nova postura das instâncias nacionais, internacionais, de organizações não governamentais (ONGs) e de numerosos e anônimos abnegados”, disse Romêo.

O prefeito Jonas afirmou que o prêmio tem sido muito especial para a cidade por envolver o poder privado e entidades em prol do meio ambiente. “É um assunto que todos nós temos que tratar. Trata-se de um incentivo para quem já trabalha com responsabilidade ambiental e para que outras entidades e associações venham a fazer parte desse grupo preocupado e ativo para o bem do meio ambiente. É impressionante como a cada ano surgem novas alternativas, novos projetos e com isso mais pessoas se dispõem a participar. No decorrer do tempo, isso está cada vez mais fortalecendo essa parceria da RAC e Sanasa e também trazendo benefícios para Campinas. Muitas ideias que foram extraídas desse projetos hoje estão sendo implantadas no município para cuidar da parte ambiental.”

Terceiro Setor

Na categoria Terceiro Setor, a Associação Beneficente da Boa Amizade (Abba), do Jardim Eulina, uma das vencedoras, apresentou o projeto que ajudou a mudar a realidade ambiental do bairro com a colaboração de seus moradores, com um trabalho focado no âmbito social atrelado à responsabilidade ao meio em que se vive. Entre os temas abordados e replicados junto à população, estão as queimadas e o lixo. As creches do bairro serão contempladas com o teatro infantil produzido pela própria Abba e receberão brinquedos feitos a partir de sucata, através da ação Sucatateca, tudo produzido pelos alunos. Para Bruno Matheus dos Santos, promovido recentemente a presidente, o orgulho maior foi ver os meninos e meninas fazendo um trabalho importante e cidadão para Campinas. “A maior honra para nós que estamos à frente da entidade é ver a alegria de que eles entenderam o prêmio. O reconhecimento de uma grife como o Correio Popular, que tem um trabalho pautado na seriedade e informação a todos os seus leitores, reconhece que investir na criança e adolescente é o futuro do País”, disse.

Outra entidade premiada foi o Grupo Primavera, que por meio do seu trabalho social voltado a meninas e jovens desenvolve programas de educação complementar com o objetivo de minimizar os riscos sociais. Uma das atividades, a de confecção de peças artesanais e bonecas de pano, encanta pelo resultado final e também pelo material do qual são feitas, com retalhos que antes iriam para o aterro. Para Ruth Maria de Oliveira, gestora executiva, e Edgar Garbadi, presidente, a instituição está agradecida pelo reconhecimento. “Estamos felizes por desenvolver um projeto que tem um alcance muito maior, que vai além da nossa organização social, pois é multiplicado na comunidade da região do Jardim São Marcos, onde está a nossa sede, pelas próprias meninas e meninos atendidos aqui”, ressalta a gestora. “Temos uma história de 33 anos de forte atuação na comunidade e já atendemos mais de 9 mil crianças e jovens, então, dá para imaginar o poder de multiplicação a que me refiro. A premiação vem validar nosso trabalho por um planeta sustentável.”

Já o Centro Infantil Boldrini promoveu o Fórum Permanente sobre Meio Ambiente e Câncer da Criança, criado em junho do ano passado com o intuito de ser um canal sempre aberto a debates e reflexões a respeito das implicações científicas, éticas, legais, culturais, pedagógicas, sociais e estéticas sobre a relação entre meio ambiente e o câncer na criança. A ação busca contribuir também para levar o tema à agenda governamental, empresarial, da sociedade civil e da mídia, para a formulação de políticas públicas. “Acho importante o Correio e a Sanasa se lembrarem do Boldrini no seu esforço da pesquisa sobre meio ambiente e saúde da criança. A importância do reconhecimento para o Boldrini é que nossa pesquisa tem um sentido mais abrangente, repercutindo ainda hoje na sociedade”, disse Silvia.

Público/Privado

Na categoria Público/Privado, um dos destaques foi um projeto pioneiro na região: o empreendimento imobiliário EntreVerdes, das empresas Entreverdes Urbanismo, Grupo Garnero e THCM, que se preocupou em preservar mais de 1 milhão de metros quadrados de áreas verdes dentro e fora do condomínio, enriquecidas com o plantio de mais de 67 mil mudas de espécies nativas. Também foram construídos cinco corredores de fauna. “Trabalhamos muito nos últimos dez anos nesse projeto, sempre focados no respeito ao meio ambiente e sustentabilidade para fazer do Entreverdes Garnero um projeto único no Estado de São Paulo, tornando-se uma referência. O prêmio serve para nos motivar, pois neste momento que o mundo vive não se pode mais colocar os interesses comerciais à frente do meio ambiente e sim ao contrário”, disse Fernando Garnero, diretor-presidente do Grupo Garnero.

A CPFL Energia, outra premiada, além de apostar em equipamentos e sistema mais modernos, busca a participação do consumidor, com iniciativas para a conscientização de que é preciso valorizar o consumo responsável e poupar hoje para ter amanhã. São realizadas palestras, distribuição de manuais ações sobre a sustentabilidade do planeta. O intuito é de que o cliente seja um consumidor inteligente, com melhores hábitos para evitar o desperdício. Também faz a troca refrigeradores e chuveiros obsoletos por outros, mais modernos e econômicos, e instala sistema solar, entre outros programas. “É um reconhecimento importante porque ratifica as escolhas que a CPFL vem fazendo ao longo dos anos, é um atestado de que estamos no caminho certo. A CPFL é uma companhia que se preocupa com o crescimento sustentável dos seus negócios e está sempre em busca de formas e soluções inovadoras, como pode ser visto com o nosso programa de mobilidade elétrica e o nosso investimento na usina solar Tanquinho”, disse Fábio Caldas, diretor de comunicação empresarial e relações institucionais.

Também foi reconhecido o projeto da Termotécnica, empresa de transformação de isopor de Indaiatuba, que orienta a comunidade a partir de um programa comprometido com a logística reversa, o Reciclar EPS. Um total de 13.570 toneladas do produto deixaram de ir para aterros e voltaram para o mercado com valor agregado com a iniciativa. E um terço de toda a reciclagem foi feita pela Termotécnica. O processo de coleta e destinação das embalagens pós-consumo conta com parcerias com cooperativas de triagem, indústrias e importadores. Para Albano Schmidt, presidente, o prêmio é um reconhecimento do investimento em tecnologia para o mercado brasileiro. “Não esperava ser premiado. Foi uma das mais gratas satisfações. Isso mostra que nossa força e energia foram recompensadas e que estamos no caminho certo”, disse. Segundo Adriano Vendramini, diretor comercial, a empresa começou o trabalho em uma época em que mal se falava em reciclagem e diz que o prêmio contempla e influencia na criação de mais ações para o bem-estar de todos.