Publicado 11 de Novembro de 2015 - 5h30

Caminhoneiros travaram uma das faixas e o acostamento nos dois sentidos da Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia, ontem de manhã. O protesto, que continuou até o início da tarde, reforçou as manifestações espalhadas pelo País contra o governo federal, aumento de impostos e combustíveis, e ocorreu na altura do Km 132, perto da Refinaria de Paulínia (Replan).

O movimento reuniu cerca de 2.000 motoristas, com centenas de caminhões, e começou por volta das 6h30, com a queima de pneus e o bloqueio das vias com veículos atravessados. O protesto foi pacífico, sem participação de sindicatos, e recebeu apoio de integrantes dos grupos Campinas é Intervenção e Campinas/Intervenção é União.

De acordo com a concessionária Rota das Bandeiras, o trecho foi liberado por volta das 14h após a obtenção de uma liminar na 1 Vara do Foro Distrital de Paulínia. A decisão judicial impediu a ocupação das pistas e determinava o encerramento imediato do bloqueio. A Polícia Rodoviária informou que não houve qualquer confusão durante a saída dos caminhoneiros. Durante o protesto, apenas a faixa da esquerda da pista foi liberada para a passagem de veículos de passeio, ambulâncias, motos e ônibus. A via também estava liberada para cargas de produtos perecíveis, hospitalares e de carga viva. Mas combustível, por exemplo, era barrado.

“A principal carga é o combustível neste momento, pois sem ele as pessoas não podem sair, sem contar que prejudica o transporte. Se não haver abastecimento dos postos, em dois dias haverá falta de combustível”, disse a integrante do movimento Campinas é Intervenção, Marilene D’Ottaviano. “A presidente Dilma declarou que os motoristas não param o Brasil, mas ela está enganada”, falou o motorista Marcelo Ferreira de Lima.

Por volta das 9h30, o protesto atingia cerca de 4km da pista nos dois sentidos. A Polícia Rodoviária acompanhou a movimentação e os manifestantes disseram que não havia previsão de desocupação. Eles afirmaram que só deixariam a via após uma resposta do governo federal. “Queremos que o governo federal respeite nossos diretos. Não temos frete e o pedágio é uma fortuna. E o diesel? Não há condições de trabalhar. Estamos cansados de corrupção”, disse o caminhoneiro Marcelo Prado, de 46 anos.

Segundo a Polícia Rodoviária, os manifestantes fecharam a faixa da direita e o acostamento da pista no sentido Cosmópolis, às 6h30. Em seguida, os motoristas também bloquearam o sentido Campinas da via, por volta das 8h30. Por ser horário de pico, houve lentidão no trânsito. “A preocupação era com a maior parte da carga, pois era de produção perigosa”, disse o tenente Fernando de Souza. O movimento começou em todo Brasil anteontem. Na região, motoristas fizeram protesto na Via Anhanguera, em Limeira. O ato durou três horas e no fim da noite as pistas foram desocupadas após acordo com a polícia. (Colaborou Eric Rocha/AAN)