Publicado 10 de Novembro de 2015 - 5h30

A tragédia ocorrida em Mariana, Minas Gerais, com o rompimento de uma barragem de detritos de mineradora que deixou centenas de famílias desabrigadas e uma lista de mortos e desaparecidos, mostra uma rotina pérfida que mantém um alto custo para as populações de áreas de risco. Mesmo com avaliações que levam à aplicação de medidas preventivas ou de cumprimento da legislação, sempre surgem os episódios que, infelizmente, expõem as irregularidades, depois de mortes absurdas, prédios destruídos, cidades dizimadas. Sempre se encontra um motivo que explica os acidentes fatais, todos fundamentados na tentativa de burlar a lei, apostar na impunidade e na falta de fiscalização. No caso de Mariana, agora começam a ser levantadas as informações sobre as alterações no sistema de represamento de detritos, com aumento de material arenoso e lama, e as denúncias de que a barragem já dera sinais de esgotamento (Correio Popular, 9/11, A9).

Não apenas o caso recente terminou em resultados trágicos. São frequentes as notícias de vítimas de desabamentos, de deslizamento de terra em áreas de risco, de construções irregulares, de inundações por conta de assoreamento de rios e de alterações de seus cursos. Mesmo totalmente previsíveis, estes acidentes continuam a ocorrer por absoluta falta de uma fiscalização séria, que se contraponha aos interesses escusos de empresas que apostam no risco limite, criando situações que poderiam ser evitadas com a simples observância das regras de prevenção.

A legislação tem que impor uma regra ideal de exploração e alteração ambiental, não esperar os desastres para reavaliar as condições necessárias para impedir acidentes, como ocorre agora com base na experiência de Mariana, quando se pensa em rever a legislação a que mineradoras estão sujeitas para a construção de barragens de detritos. Infelizmente, tarde demais para se perceber erro tão grave.

O homem insiste em fazer prevalecer sua sanha de lucro e benefícios, arriscando a sua própria subsistência. O drama das famílias atingidas, os riscos que permanecem ao longo do rastro de destruição da lama tóxica, os prejuízos pessoais e ambientais não serão apagados com desculpas e longos processos para identificar os responsáveis. Todo atentado contra a natureza tem consequências, nada fica impune diante do equilíbrio natural que seja uma resposta ao desatino de provocar alterações sem as devidas precauções, contrapartidas e cuidados para reduzir o impacto negativo no ambiente.