Publicado 16 de Novembro de 2015 - 5h30

[CR_TXT_2LINH]Julianne Cerasoli

[/CR_TXT_2LINH][CR_TXT_PROCE]DE INTERLAGOS

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Em uma corrida morna em Interlagos, Nico Rosberg venceu de ponta a ponta, com Lewis Hamilton em segundo e Sebastian Vettel em terceiro. Mas o resultado da prova só foi oficializado horas depois, com a desclassificação de Felipe Massa. O piloto, que é o brasileiro com melhor retrospecto correndo em casa na história, teve dificuldades com a falta de aderência de sua Williams e terminou na oitava colocação. Para piorar, mais de três horas após o final da prova, o brasileiro teve seu resultado excluído devido a uma irregularidade técnica em um de seus pneus. A Williams já informou que vai recorrer da decisão.

Uma medição oficial, feita pela FIA no grid de largada, mostrou que a temperatura de seu pneu traseiro direito estava 27ºC acima do permitido e a pressão, 0.1psi maior que o limite máximo estabelecido para o circuito de Interlagos. Segundo os dados coletados pela FIA no grid de largada, o pneu estava a 137ºC, quando o limite estabelecido é de 110ºC. A pressão também estava mais alta que os 20.5psi estabelecidos como o teto pela Pirelli. A diferença constatada foi de 0s1psi.

Porém, o time refuta essa medição. "Vamos apelar porque discordamos veementemente dessa decisão. Temos dois sensores independentes e o resultado estava completamente dentro do que dizia o regulamento por todo o tempo", explicou o chefe de performance da Williams, Rob Smedley.

"A última vez que nós lemos, quando ele estava no grid, a temperatura estava 104ºC. E a outra medida que vem dos dados do carro apontava 105,7ºC. Portanto, ambos os sensores dão conta de que o carro estava dentro do regulamento e temos dados que sustentam isso."

Smedley explicou que, caso o pneu de Massa realmente estivesse com uma temperatura tão superior ao regulamentar, a pressão também estaria bastante alterada, o que não aconteceu. "Se o pneu estivesse com a temperatura mais alta, nós teríamos visto. Provavelmente estaríamos falando de algo em torno de 2,5 ou 3psi a mais. É uma diferença muito grande."

O limite de pressão foi estabelecido pela Pirelli, com força de regra, a partir do GP da Itália, após os estouros dos pneus de Rosberg e Vettel na prova anterior, na Bélgica. Em Monza, o limite causou muita polêmica, pois a FIA encontrou irregularidades nos dois carros da Mercedes, mas acabou não punindo os pilotos, por falhas na mecânica de medição.

Desde então, nenhum outro piloto chegou a ser oficialmente investigado por problemas do tipo. Quando a decisão foi divulgada, o piloto brasileiro já tinha deixado o circuito.

Hamilton perde a segunda seguida e reclama do time

Em um GP do Brasil que deixou a desejar em termos de ação, Nico Rosberg impôs mais uma derrota ao campeão da temporada por antecipação, Lewis Hamilton. E, a exemplo do que ocorrera há duas semanas, no México, o inglês ficou na bronca pela falta de possibilidades de lutar por posição com o companheiro de Mercedes.

A queixa de Hamilton é tanto com a dificuldade de se aproximar de um carro com rendimento semelhante, quanto com a falta de flexibilidade das estratégias da Mercedes, que há mais de um ano não permite que seus pilotos usem táticas distintas.

“Eu tinha o ritmo para vencer, só não conseguia ultrapassar. Ficava atrás dele e isso acabava com meus pneus”, explicou o inglês, que selou o tricampeonato no GP dos Estados Unidos, há duas etapas.

Também repetindo o que acontecera na Cidade do México, o inglês questionou a estratégia da Mercedes. Preso atrás de Rosberg por toda a prova, Hamilton queria ter tido a oportunidade de antecipar uma de suas paradas ou utilizar um composto diferente para ter chances de ultrapassar o companheiro.

“Estou aqui para correr, e quando os dois têm de fazer a mesma estratégia, é como se as coisas estivessem pré-determinadas. Gosto de assumir o risco e acho que é isso o que as pessoas querem ver em uma corrida”, disse.

Rosberg, por sua vez, disse que a questão “já foi discutida muitas vezes” na Mercedes. “Mas não seria justo dar a melhor estratégia ao cara que está em segundo lugar”, argumentou.

Nasr

O GP do Brasil também foi frustrante para Felipe Nasr, que ficou em 13 após a exclusão do compatriota da Williams. Foi o pior resultado do Brasil nas cinco últimas edições da prova em Interlagos.

O resultado igualou o registrado em 2010, quando mesmo com quatro representantes (Massa, Barrichello, Di Grassi e Bruno Senna), ninguém conseguiu pontuar.

Nasr não conseguiu fazer o carro render em sua primeira corrida em Interlagos como piloto da F1. "Fiz tudo o que foi possível. Do carro não tinha mais o que tirar, não tinha mais recurso. Infelizmente não deu", disse. (JC)

GP Brasil perde liderança da audiência pela primeira vez

O fraco GP do Brasil pode ter representado uma derrota histórica para a Rede Globo: dados preliminares do Ibope dão conta de que, pela primeira vez desde que começou a transmitir a Fórmula 1, a emissora não foi a líder de audiência em uma prova caseira.

A corrida rendeu à emissora média de 10,5 pontos, contra 11,8 da Record, que transmitia o “Domingo Show” e a “Hora do Faro”. O SBT ficou em terceiro com média de 6,7 pontos, exibindo “Domingo Legal” e “Eliana”.

A Rede Globo vem sendo pressionada pelo promotor da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, a dar mais espaço para a Fórmula 1, depois de ter deixado de transmitir os treinos classificatórios e as corridas dos Estados Unidos e do México. “Só precisamos fazer com que a Globo fique um pouco mais entusiasmada”, disse o britânico.

A pressão não é novidade. Ecclestone está descontente com o pouco espaço que a emissora dá à categoria, sendo uma das poucas TVs que inicia sua transmissão dos GPs poucos minutos antes da largada. Por conta disso, a Globo chegou iniciar suas transmissões com cerca de meia hora de antecedência, mas recuou neste ano, por corte de gastos.

No início do ano, a emissora já havia registrado a pior média para uma corrida da categoria na história, com apenas 3 pontos durante o GP da Malásia, realizado de madrugada no Brasil.

Público

Enquanto a audiência cai, contudo, o público do GP do Brasil apresentou uma tímida melhora neste ano. Depois de receber 133.109 pessoas nos três dias de evento em 2014, a etapa brasileira deste final de semana teve público de 136.410 torcedores. (JC)