Publicado 15 de Novembro de 2015 - 5h30

Somar um ponto em Buenos Aires será motivo de comemoração para qualquer seleção que enfrentar a Argentina até o final das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. O péssimo início dos argentinos e as ausêncas de Messi, Aguero, Tevez e outros jogadores importantes não diminuem a importância do ponto conquistado pela Seleção Brasileira na sexta-feira. Mas o futebol pobre apresentado no Monumental de Nuñez deveria, sim, ser motivo de preocupação.

É evidente que, a Dunga, a fraca atuação não preocupa. Um treinador que desmerece a Seleção que encantou o mundo na Copa de 1982 deve estar muito satisfeito com o 1 a 1 fora de casa, apesar da falta de coordenação de seu sistema defensivo, da insistente e ineficaz opção pelas bolas longas e pela incapacidade de trabalhar jogadas. O empate caiu de céu e esse deve ser o único motivo de felicidade para Dunga. No mais, ele deveria estar muito preocupado.

Neymar não jogou bem contra a Argentina. Qualidade, evidentemente, não lhe falta. Infelizmente, a Seleção Brasileira ainda não sabe como tirar o máximo de seu único craque. E esse é o trabalho de Dunga. Trabalho que ele não consegue realizar.

O seu colega Tata Martino vive situação semelhante. Não é comum que uma seleção fique sem metade de seu time titular de uma vez, ainda mais em um clássico. Mesmo assim, fica difícil explicar o aproveitamento de apenas 22,2% em três partidas, duas delas em casa. A Argentina foi muito superior ao Brasil no primeiro tempo, saiu na frente e, ainda assim, não conseguiu vencer. Ele também tem parte de responsabilidade por ter deixado Dunga sair feliz de Buenos Aires. Conseguiu anular Neymar e tirar vantagem da desorientada defesa brasileira, mas não conseguiu ganhar.

Pouco cargos no futebol mundial são mais cobiçados do que os ocupados por Dunga e Tata. Dirigir seleções que, juntas, já chegaram a 12 finais de Copa do Mundo, é uma honra que cabe a poucos. Mas isso tem um preço.

O Brasil não pode jogar alongando bolas como se fosse uma seleção europeia de poucos recursos técnicos. A Argentina não pode somar dois pontos em três jogos das Eliminatórias.

Dunga e Tata, esse com mais intensidade, são cobrados pelo rendimento inadequado de suas equipes. Não é normal o Brasil aparecer em quarto lugar, com cinco pontos a menos do que o líder Equador. Não é normal a Argentina figurar em 9 lugar, à frente apenas da Venezuela. Dunga e Tata estão devendo.