Publicado 14 de Novembro de 2015 - 5h30

O semana não teve rodadas do Brasileirão, mas alguns dirigentes continuaram trabalhando duro, com sua atividade preferida. Faltam apenas quatro rodadas para o fim da temporada e os clubes não param de demitir seus treinadores. Os dois últimos foram Doriva (São Paulo) e Gilson Kleina (Avaí).

Deveria ser inacreditável, mas achamos normal que apenas Corinthians e Atlético Mineiro não tenham trocado de técnico durante o campeonato.

Tite faz grande trabalho, será campeão e é unanimidade. Levir Culpi foi o que conseguiu ameaçá-lo por mais tempo. Também faz ótima campanha, com o segundo melhor ataque e uma confortável vantagem de seis pontos sobre o terceiro colocado. A vaga na Libertadores de 2016 já está garantida e o trabalho foi bem feito.

Corinthians e Atlético Mineiro, portanto, não tiveram motivos para trocar de técnico durante a campanha. E os outros 18 clubes? Será que todos precisaram mesmo mudar a comissão técnica, alguns deles mais de uma vez?

É claro que não. Foram poucos os casos em que o novo treinador provocou um ganho significativo de rendimento. Na maioria dos casos, o problema está na montagem do elenco, no planejamento e na incapacidade administrativa da própria diretoria. Salário atrasado é um problema tão grave quanto comum no futebol brasileiro.

Quando o campeonato começa e os resultados não aparecem, a coisa mais fácil que o clube tem a fazer é demitir o técnico, ainda que a culpa não seja dele.

A atitude, pouco produtiva, serve como uma resposta para a torcida, que na maioria das vezes acha que o treinador é mesmo o culpado e que tudo vai melhorar depois que ele for embora .

Muitas vezes, claro, isso não acontece. Dirigentes e torcedores brasileiros olham para o mundo como se só o time deles fosse bom, só o time deles pudesse ser campeão e só o time deles estivesse livre de qualquer ameaça de rebaixamento. Se não vai ser campeão, troca o técnico. Se está lutando para se manter na elite, troca o técnico.

É evidente que nenhum clube deve se contentar com pouco, ser derrotista e não ter ambição. Mas fica bem mais difícil para qualquer um vencer e alcançar objetivos se o planejamento não for feito de acordo com a própria capacidade.

Esse pensamento imediatista e essa noção equivocada de que só o título tem valor são fatores que contribuem para o atraso do futebol brasileiro.