Publicado 12 de Novembro de 2015 - 5h30

Após cumprir quatro jogos de suspensão, o atacante Neymar volta hoje, às 22h, a vestir a camisa da Seleção Brasileira. Com o craque, que vive o melhor momento da carreira, volta também a esperança de dias melhores para a equipe do técnico Dunga. Na terceira rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, o Brasil enfrenta a Argentina no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires.

Os números impressionam. Nos últimos oito jogos pelo Barcelona, ele marcou 10 gols. No Campeonato Espanhol, é o artilheiro isolado com 11 gols em 11 rodadas. Na Liga dos Campeões, foram mais dois gols. Mas não são apenas as estatísticas que chamam atenção. No domingo, Neymar fez um gol antológico contra o Villarreal. De costas, deu um chapéu no marcador e, antes que a bola caísse no chão, bateu de primeira. O lance fez com que o atacante fosse comparado a Pelé pela imprensa europeia.

Desde a lesão de Messi, em setembro, Neymar assumiu o protagonismo do Barcelona. Para Dunga, nesta temporada o brasileiro está à frente de Cristiano Ronaldo e Messi. "Se fizermos o ranking por número, estatística, o Neymar está mostrando um aproveitamento superior. O Messi está machucado e o Cristiano a gente tem expectativa de que repita o ano passado. Neymar tem crescimento constante desde que chegou ao Barcelona. Sem o Messi, tem correspondido à expectativa", disse o treinador.

Neymar volta à Seleção após cumprir suspensão imposta pela Conmebol depois da expulsão contra a Colômbia, na Copa América. Sem o craque em campo, o Brasil sofreu. Ainda na Copa América, a Seleção venceu a Venezuela, mas empatou com o Paraguai e foi eliminada nos pênaltis. Depois, pelas Eliminatórias, começou com derrota para o Chile por 2 a 0 e venceu a Venezuela por 3 a 1.

Cientes de que o Brasil é hoje um time que depende dos gols de Neymar, os outros jogadores do grupo trabalham para que o craque possa ter liberdade em campo. "Todo jogador que vem para a Seleção tenta desempenhar o mesmo papel que faz no seu clube. Nem sempre é possível, mas a gente tenta conversar para que ele tente resolver o jogo lá na frente", disse o volante Elias.

Dunga faz mistério sobre a escalação. Em relação ao time que jogou contra a Venezuela, o treinador deve fazer apenas duas mudanças. Na zaga, David Luiz retorna após se recuperar de lesão e ficará com a vaga que foi ocupada por Marquinhos, seu companheiro de PSG.

No ataque, Ricardo Oliveira deve sair para a entrada de Neymar. Assim, a Seleção deixaria de jogar com centroavante fixo e passaria a atuar com dois atacantes abertos: Neymar pela esquerda e Douglas Costa na direita. É na velocidade da dupla e sobretudo no poder de fogo do craque do Barcelona que o treinador espera aproveitar as chances de contra-ataque. Dunga precisa da vitória para aliviar um pouco as críticas ao seu trabalho. (Da Agência Estado)

Sem Messi, Tata Martino trabalha sob pressão

A Argentina que enfrenta o Brasil tem mais desfalques no ataque do que pontos na classificação das Eliminatórias da Copa do Mundo. Sem Messi, Agüero e Tevez (machucados), a seleção busca a sua primeira vitória após uma derrota em casa diante do Equador e um empate com o Paraguai, em Assunção. A defesa também sofre com baixas importantes, como o lateral Zabaleta e o zagueiro Garay.

A pressão em cima do técnico Tata Martino é enorme. Para piorar, ele terá do outro lado Neymar, que conhece bem porque o dirigiu no Barcelona e que, segundo o próprio treinador, atingiu um estágio de excelência que o coloca no mesmo patamar de Messi e Cristiano Ronaldo.

A imprensa argentina tem noticiado nos últimos dias que o emprego do treinador depende do rendimento da equipe nas partidas de hoje e de terça-feira contra a Colômbia, em Barranquilla. Se o time voltar a falhar, são grandes as chances de a Argentina começar 2016 com um novo treinador.

Para salvar o seu emprego e evitar que a crise tome conta da seleção, Martino aposta em um meio de campo marcador formado por três volantes — Biglia, Mascherano e Banega. Eles serão os responsáveis por tentar segurar os avanços do Brasil e, assim, dar liberdade aos atacantes Di María, Higuaín e Lavezzi. A ordem para os jogadores de frente é que eles não guardem posição e se movimentem a todo instante. O objetivo é confundir a marcação e pegar a defesa brasileira desprevenida.

Técnico de Neymar no Barcelona na temporada 2013/14, Martino também armou um esquema especial para marcar o brasileiro. O lateral-direito Roncaglia ficará preso na defesa e mal passará do meio de campo. Ainda contará com o auxílio do volante Biglia, que jogará pelo lado direito e deverá avançar pouco ao ataque. "Neymar vive um momento de maturidade e chega num momento bom para o Brasil".

O argentino reconhece que hoje o craque brasileiro está em um patamar mais alto do que quando foi seu jogador no time catalão e considera isso consequência de sua adaptação. "Todo jogador precisa de um tempo de adaptação. Eu dirigi um Neymar muito bom, mas o que ele está fazendo agora o coloca no nível dos dois jogadores que consideramos acima dos outros", disse Martino, fazendo alusão a Messi e Cristiano Ronaldo. (AE)

ARGENTINA

Romero; Roncaglia, Otamendi, Funes Mori e Rojo; Biglia, Mascherano, Banega e Di María; Higuaín e Lavezzi. Técnico: Tata Martino.

‘Caçula’, Alisson terá sua segunda chance como titular

O mais novo dos três goleiros convocados por Dunga deve ser o titular da Seleção Brasileira diante da Argentina. Ao que tudo indica, Alisson, de 23 anos, ganhou a disputa com Jefferson (32) e Cássio (28). "Se achasse que um jogador com 20 ou 23 anos não poderia defender a Seleção Brasileira, eu não teria convocado. Todos têm de estar preparados para jogar na Seleção", disse Dunga, indicando que o jogador do Internacional deve ser o titular.

Ontem, a Seleção treinou depois da entrevista do treinador. Quando a imprensa teve acesso à atividade, realizada no Itaquerão, em São Paulo, Cássio e Jefferson participavam de descontraído rachão — até o ex-jogador Careca, de 55 anos, auxiliar pontual da Seleção para os jogos contra Argentina e Peru, participou da brincadeira no lugar de Ricardo Oliveira, que ficou fazendo alongamentos.

Ao contrário dos companheiros, Alisson trabalhava sério. Do outro lado do campo e sob o comando do preparador de goleiros Taffarel, treinava defesas, reposições de bola e saídas do gol com os pés. É comum Taffarel separar os últimos minutos do treino pré-jogo para exercitar fundamentos com o goleiro titular. Já os reservas participam do rachão com os jogadores de linha.

Alisson ganhou a posição de Jefferson no jogo contra a Venezuela. Titular em 13 dos 17 jogos que a Seleção disputou com Dunga depois da Copa do Mundo, o goleiro do Botafogo não foi bem contra o Chile e acabou sendo barrado. À época, Dunga explicou que levou em conta as jogadas pelo alto dos venezuelanos para fazer a mudança.

Se confirmado como titular, Alisson disputará apenas o seu segundo jogo pela Seleção. Contra a Venezuela, mesmo não sendo muito exigido, ele foi elogiado por Dunga.

Em mais de um ano no cargo, Dunga ainda procura um camisa 1. Ele já convocou sete goleiros. Além de Jefferson, Alisson e Cássio, foram chamados Diego Alves, Marcelo Grohe, Neto (apenas reserva) e Rafael (apenas reserva). (AE)

8

Fizeram 3 gols no clássico: Seoane, Peucelle, Méndez, Sanfillipo, Pelé, Rivaldo, Ronaldo e Messi.