Publicado 11 de Novembro de 2015 - 5h30

Quando Doriva deixou o Moisés Lucarelli às pressas, há pouco mais de um mês, escrevi que tinha a sensação de que a Ponte Preta iria se dar melhor do que o São Paulo naquela troca. Escrevi isso com base em dois fatores. O primeiro é que considerava boas as chances de a Macaca escolher um treinador melhor do que ele para comandar seu time. E o outro era que não vejo Doriva como um técnico de ponta, apto a comandar um clube do tamanho do São Paulo.

Sobre o primeiro aspecto, ainda terei que aguardar para saber se a Ponte vai mesmo escolher um substituto melhor, decisão que ficou para a próxima temporada. Para esse final de Brasileirão, Felipe Moreira vem dando conta do recado. A Ponte não sentiu falta de Doriva.

No caso do São Paulo, está claro que cometeu um grave erro de avaliação ao levar um treinador com pouca experiência para substituir o colombiano Osorio. Em apenas sete partidas, Doriva conseguiu errar bastante. Mas seu primeiro erro foi cometido antes mesmo de chegar ao Morumbi. A forma como partiu mostrou o seu pouco interesse pela Ponte. Doriva foi embora sem dar uma entrevista coletiva (o que seria o correto) ou mesmo parar na saída do CT do Jardim Eulina para uma rápida conversa com a imprensa (o que seria o mínimo). Os jornalistas bem que tentaram entrevistá-lo, mas o carro em que estava acelerou em direção a outro CT, na Barra Funda.

Doriva contou no dia seguinte, em sua apresentação, que nem dormiu à noite, pensando na oportunidade que se abria para dirigir o São Paulo. Seu direito de sonhar acordado é do mesmo tamanho da obrigação que ele tinha de dar uma satisfação ao ex-clube. Deveria ao menos ter se despedido da torcida da Ponte, mas preferiu sair correndo sem olhar para trás.

Curiosamente, 32 dias depois, Doriva criticou a forma como o São Paulo o dispensou. “Doriva foi chamado pela diretoria à tarde. Ele estava em Itu. Veio à Capital e foi demitido em cinco minutos”, dizia um comunicado da assessoria do treinador, em tom crítico. Se considera correta a forma como deixou a Ponte Preta, Doriva não deveria se incomodar com a postura do Tricolor. Foram despedidas semelhantes.

Dentro de campo, Doriva foi mal. Na Copa do Brasil, foi eliminado pelo Santos, para quem perdeu duas vezes por 3 a 1. No segundo jogo, escalou seu time de forma desastrosa e levou três gols em 23 minutos. No Brasileirão, mesmo sem convencer, fez comparações com o trabalho de seu antecessor, dizendo que agora o São Paulo era um time mais compacto. Não era, tanto que escapou de ser goleado pelo Cruzeiro graças a uma atuação excelente do goleiro Denis.

Doriva está de volta ao mercado. Os títulos estaduais conquistados no Ituano e no Vasco ainda não são suficientes para defini-lo como um treinador de ponta. No Brasileirão, campeonato incomparavelmente mais difícil, ele foi muito mal no Vasco, alternou bons e maus momentos na Ponte e foi mal também no São Paulo.

O ano de 2016 será um recomeço na carreira de Doriva. Provavelmente, terá que conseguir bons resultados em times de porte médio antes de voltar a ter uma chance em outro grande. E será bom também se rever alguns conceitos, dando o valor devido a todos os times que vier a defender, inclusive aqueles que não o fazem sonhar acordado.