Publicado 11 de Novembro de 2015 - 5h30

O Comitê Olímpico Internacional (COI) cobrou punição aos citados em denúncias no relatório da Agência Mundial Antidoping (Wada) no escândalo de doping do atletismo russo e prometeu cassar e realocar medalhas olímpicas dos Jogos de Londres, em 2012. Também suspendeu o senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF).

"O COI pediu à IAAF que abra procedimentos disciplinares contra atletas, treinadores e dirigentes que tenham participado dos Jogos e que tenham sido denunciados pelo relatório elaborado pela Wada", anunciou o COI.

A entidade avisou que vai adotar sua conhecida política de tolerância zero. "O COI vai adotar todas as medidas e punições e, se for o caso, excluir treinadores e gestores das futuras edições da Olimpíada."

Ontem, dando seguimento ao informe, a Wada anunciou o descredenciamento do laboratório de testes de Moscou, o que significa que a partir de agora todos os exames terão de ocorrer fora da Rússia, inclusive para a Copa de 2018 se até lá a crise não for solucionada.

O descredenciamento ocorrerá de forma "imediata" e a agência anuncia que todas as amostras em Moscou serão levadas a um local "seguro". As autoridades russas têm ainda o direito de entrar com um recurso na Corte Arbitral do Esporte.

Também ontem, o porta-voz do presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a Wada não apresentou provas de que o país dá suporte à prática "sistemática" de doping no atletismo. Dmitry Peskov disse que as acusações da Wada "parecem não ter fundamento".

"Enquanto não houver evidências, é difícil considerar as acusações, que parecem não ter qualquer fundamento", declarou Peskov, ao tentar rebater as graves conclusões apresentadas por uma comissão da Wada. O grupo divulgou na segunda-feira um aprofundado relatório no qual acusa o governo da Rússia de promover a manipulação de resultados no atletismo.

Fifa

A crise sobre o doping dos atletas russos se espalha e agora é a Fifa que anuncia que vai examinar o informe produzido pela Wada. No relatório apresentado em Genebra na última segunda-feira, os investigadores apontaram que o ministro de Esportes, Vitaly Mutko, sabia da manipulação de resultados e que chegou a apoiar as manobras.

Mutko, porém, é membro do Comitê Executivo da Fifa e principal organizador da Copa de 2018, em seu país. Em Moscou, ele é o homem de confiança de Vladimir Putin não apenas no futebol, mas também para garantir bons resultados para o país em diversos esportes. Uma das orientações do Kremlin ainda era de que Mutko deveria trazer para a Rússia o maior número de eventos, inclusive os Jogos Olímpicos de Inverno, realizado em Sochi, em 2014. (AE)