Publicado 10 de Novembro de 2015 - 5h30

Em bom e sonoro português fair play quer dizer jogo limpo. Quem criou tal expressão foi o Barão de Coubertin, em 1896, quando das primeiras Olimpíadas da Era Moderna, realizadas em Atenas (o berço das Olimpíadas). Disse ele: “Não pode haver jogo sem fair play. O principal da vida não é a vitória, mas a luta”. Ou seja: os atletas devem competir de maneira justa, sem prejudicar o adversário a fim de ganhar a qualquer custo.

Essa banalidade amoral no futebol teve início em 1986, após o gol de mão de Diego Maradona contra a Inglaterra, o que levou a Argentina a levantar o caneco de campeã do mundo. Até então ninguém sabia que existia esse treco de fair play.

E o excelente Biro Biro caiu na intermediária da Ponte Preta, aos 42 minutos do segundo tempo, sem sofrer nenhum impacto de algum adversário — supostamente acometido por cãibras. Alexandro, acossado por um adversário, tocou a bola para a sua própria lateral. Ato contínuo, o Inter recolocou a bola em jogo e após uma sequência de quase uma dezena de passes fez o gol da sua vitória.

Reclama-se agora a falta de fair play do Internacional. Está em todos os jornais esportivos do Brasil. E sobrou para o árbitro da partida, que mandou o jogo seguir. A Regra Cinco, nono item, permite que o árbitro dê sequência ao jogo caso ele entenda que o atleta está “levemente contundido”.

A Ponte Preta perdeu o jogo contra o Internacional porque falhou em marcar os muitos passes que o Internacional trocou até fazer o seu gol de vitória, aos 42 minutos do segundo tempo. E é bom lembrar aos fanáticos por futebol que em tiro de meta não existe impedimento. E alguém já viu isso no futebol? Pois é: está na regra. Leiam.

Fair play não existe nas 17 regras do futebol. E o Barão de Coubertin não conhecia o espírito competitivo do ser humano: lutar para ganhar.

Mas é inegável que o seu sonho de uma justa competição olímpica traduziu-se na Convenção de Genebra que, embora absurda, estabeleceu regras para países em conflito bélico. A Cruz Vermelha, por exemplo.

Enfim, o único fair play esportivo são as ambulâncias que tanto atendem a equipe da casa como a do visitante. E árbitro arbitra; e juiz julga. E fair play só existe segundo a situação confortável de quem o pratica. O resto é um crasso cinismo.

Bom dia.