Publicado 13 de Novembro de 2015 - 22h23

Por João Nunes/Especial para o Correio Popular

Cena do filme 'A Noviça Rebelde': à direita, o ator Christopher Plummer

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Cena do filme 'A Noviça Rebelde': à direita, o ator Christopher Plummer

Para quem vai a Salzburgo, uma das opções de passeio temático é conhecer as paisagens e o local onde parte de 'A Noviça Rebelde' (Robert Wise, 1965) foi rodado. A razão de ter sido na cidade austríaca é que o filme se baseou numa história real: as aventuras de jovem que, em 1938, estuda para se tornar freira, mas acaba sendo enviada para a casa de campo de oficial da marinha, viúvo e aposentado, e ser a governanta dos sete filhos dele.

Na verdade, a noviça (Julie Andrews) deixa o convento por não conseguir seguir as regras do local e porque não tem vocação. O oficial, o capitão von Trapp, foi interpretado por Christopher Plummer e o contexto, claro, é o nazismo. O filme será exibido neste sábado (14), domingo (15) e quarta-feira (18) dentro da 10ª temporada de Clássicos Cinemark.

Indicado a dez Oscar, ganhou os de filme, diretor, montagem, som e trilha sonora adaptada. Curiosamente, Julie Andrews não levou a estatueta, tendo perdido para outra Julie, a Christie (de 'Darling, a que Amou Demais', de John Schlesinger). Isso demonstra um pouco a recepção inicial não muito entusiasmada do filme.

Trata-se de adaptação do musical homônimo lançado em 1959, com libreto de Howard Lindsay e Russel Crouse, e concebido a partir do livro de memórias 'The Story of the Trapp Family Singers', escrito por Maria von Trapp. As composições trazem assinatura de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II e marcam definitivamente o filme.

Canções que se tornaram clássicas, como 'The Sound of Music' (o tema principal), ou a bela 'My Favorite Things', a divertida 'Do-Re-Mi', e 'Climb Ev’ry Mountain', que possui um papel marcadamente narrativo ao definir dois momentos decisivos da história: quando Maria assume-se apaixonada pelo capitão e quando fogem dos nazistas justamente pelas montanhas que a protagonista conhecia tão bem.

Há uma boa frase para entender um pouco do espírito do filme. O capitão proibiu música depois da morte da mulher dele. E, apaixonado de novo, agradece a Maria “por ter trazido a música de volta” à casa.

Musicais já tiveram melhores dias na indústria americana de cinema e, hoje, estão praticamente abolidos. Curiosamente, eles funcionam muito bem no teatro (os grandes espetáculos do gênero seguem em cartaz em Nova York e Londres) e nos últimos anos se instalaram de vez no Brasil — onde tudo vira musical.

No cinema, dominam hoje os filmes de super-heróis, ainda algumas séries clássicas ('Star Wars', '007') e, eventualmente, as fantásticas ('Hary Potter', 'O Senhor dos Anéis'). A razão talvez seja a rejeição de parte do público que não gosta de filmes nos quais se fala cantando. De fato, há que se gostar do gênero para apreciá-lo; do contrário, nada feito.

O filme

'A Noviça Rebelde' ganhou importância ao longo dos anos. Há uma ingenuidade própria do tempo dele, inclusive na intriga entre as duas pretendentes do capitão. E há um tom que as feministas (cada vez mais em moda) não devem gostar: Maria faz o protótipo da mulherzinha que cuida da prole gerada pelo homem. Já na época, uma moça atirada demais, como a rival dela, não serviria como mulher “do lar”.

À parte a questão familiar e a disputa (leve, diga-se) entre duas mulheres por um homem, há o tema político e que dá peso a um musical no qual a música ganha determinante espaço.

Esta é a responsável por reinventar o sentido da vida do capitão e, consequentemente, trazer alento ao reprimido universo dos sete filhos dele. O nazismo encarna o grande vilão, pois o regime de Hitler se encarrega de separar a família. Este, ao lado da importância da música, é o tema do filme.

Talvez a ingenuidade do roteiro tenha sido a causa da frieza como a qual o longa foi recebido. No entanto, há como identificar o quanto 'A Noviça Rebelde' permanece atual. Basta entender a importância de cantar e viver num mundo em que a liberdade se tornou artigo de primeira necessidade.

Serviço

O quê: 'A Noviça Rebelde'

Quando: neste sábado (14), 23h40; domingo (15), 11h; e quarta-feira (18), 20h30

Onde: Cinemark do Shopping Iguatemi (Avenida Iguatemi, 777, Vila Brandina)

Quanto: R$ 14,00 e R$ 7,00 (estudantes e maiores de 60 anos)

Escrito por:

João Nunes/Especial para o Correio Popular