Publicado 13 de Novembro de 2015 - 5h00

Por Milene Moreto

Sim! Os vereadores de Campinas descobriram a fórmula da popularidade e uma maneira simples de ganhar fama e serem conhecidos nos quatro cantos do Brasil, mesmo que seja por caminhos tortuosos. A apresentação de propostas esdrúxulas, e alinhadas a uma pauta cada vez mais conservadora, tem demonstrado que os parlamentares campineiros querem mesmo é o estrelato e a quantidade de votos limitada de seus redutos para garantir a vitória nas urnas no ano que vem.

Censura

Depois do Dia da Glória, do Dia do É Gol da Alemanha, da moção contra Simone de Beavoir, agora é a vez de focar no mundo cinematográfico. Com reduto eleitoral na Igreja Católica, o vereador Vinicius Gratti (PSD) faz, em uma moção, um pedido ao Ministério da Cultura, para censurar um vídeo de divulgação do filme Olmo e Gaivota, feito por atores globais e que trata da mulher, gravidez, os dilemas e direitos a escolhas.

Frase

Felizmente o tempo da sessão expirou, impedindo que a Casa cometesse mais um equívoco e virasse motivo de constrangimento por seu conservadorismo. Do vereador de Campinas, Gustavo Petta, ao comentar a moção do seu colega na Casa, Vinicius Gratti (PSD).

Nada disso

O vídeo mostra atores globais, entre eles Bárbara Paz, Bruna Linzmeyer, Nanda Costa, Julia Lemmertz e Alexandre Borges tratando de temas relacionados à gravidez, a mudança que a gestação provoca na vida e no corpo da mulher, da violência, do estupro. Já o filme conta a história de Olivia Corsini e o francês Serge (Serge Nicolai), que trabalharam no Theatre du Soleil e estão se preparando para a peça A Gaivota, de Tchekov, em Paris, quando ela engravida.

Não gostei

Mas Gratti não gostou. Achou que o vídeo dos atores globais não é adequado para a sociedade brasileira e, como “representante da população de Campinas” quer censurar a propaganda. Se ele não gostou, ninguém está autorizado a gostar também. E pronto! Se amanhã os vereadores alinhados à pauta conservadores acharem que ninguém mais vai usar roupas da cor azul, assim vai ser?

Não deu

Só que o vereador teve sorte. Parlamentares contrários à proposta estavam prontos para rejeitar a moção e contavam até com o plenário praticamente vazio para isso, mas o tempo da sessão acabou e como não houve pedido de prorrogação, a proposta não foi votada. A análise ficou para semana que vem.

O direito

O vereador tem todo o direito de discordar do que é dito no vídeo, assim como aqueles que também não gostaram. O que complica a história, e muito, é querer impor suas convicções pessoais, ou a de um grupo, à toda a sociedade.

Solução

A solução para o problema é simples. Não assista, troque de canal e não recomende. Mas, talvez, se o parlamentar resolver seguir por esse caminho, falte votos para sua reeleição no ano que vem. Então, é melhor deixar bem claro que ele não gostou e agradar o pessoal.

Nem precisa

Do jeito que a coisa anda, com uma Câmara como a da cidade de Campinas, nem é preciso pedir intervenção militar. Tem quem aposte que até o ano que vem, a pauta da Casa será só composta por esse tipo de proposta.

Multidões

Quem pensa que o vereador Cid Ferreira (SD) está na pior depois de ter feito declarações consideradas racistas no primeiro semestre, no plenário da Câmara de Campinas, anda muito enganado. O parlamentar tem promovido vários regabofes nos clubes gerenciados por ele e atraído multidões para almoços com direito a cervejinha, patrocínio, e tudo mais. E sempre tem muita gente. Se todo mundo agraciado pelos almoços de Cid resolver votar nele no ano que vem, a reeleição estará, mais uma vez, garantida. Assim segue a política...

Escrito por:

Milene Moreto