Publicado 12 de Novembro de 2015 - 5h00

Por Milene Moreto

Depois de meses de bajulação, elogios rasgados, parcerias, jantares e sabe-se lá mais o que, o PSDB resolveu recobrar a razão e decidiu que não dá mais para ser o “partido-amigo” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Pelo menos, publicamente. Até agora, os tucanos eram defensores ferrenhos do peemedebista porque ele poderia garantir a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma e desgastar o governo. Parecia não ter muita importância para os tucanos o fato de Cunha ser denunciado na Lava Jato, por corrupção na Petrobras, entre outras coisas.

Na cara da sociedade

Cunha deu um tapa na cara da sociedade semana passada ao falar que os R$ 9,6 milhões que possui bem guardadinhos nos bancos da Suíça não podem ser considerados dele porque são administrados por trustes. A defesa do presidente foi tão fraca e sem argumentos que ficou insustentável para o PSDB permanecer ao seu lado. É incoerente para um partido que defende o fim da corrupção ficar ao lado de políticos denunciados por esse motivo.

Frase

Temos uma causa maior que é o impeachment. Mas não é por isso que vamos transigir com aquilo que não é ético. O Conselho de Ética não é balcão de negócio. (Do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, sobre a decisão do PSDB de apoiar o afastamento de Cunha).

Mudamos de ideia

Vale lembrar que antes das contas serem descobertas, Cunha alegou na CPI da Petrobras que não tinha dinheiro no Exterior. O líder dos tucanos na Câmara, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), apesar de ter sido um dos principais defensores da manutenção dessa aliança entre tucanos e Cunha, mudou o discurso.

De leve

Sampaio afirmou que o partido vai defender o afastamento do presidente da Casa, mas de uma forma leve. Não fará muita pressão. Segundo Sampaio, o PSDB não pretende travar os processos na Casa e nem perder a esperança em conseguir emplacar a abertura do processo de impeachment. Do outro lado, Cunha achou tudo muito desleal.

Nada boa

Por falar em tucanos, a maré não anda muito boa para o lado deles em São Paulo. As mudanças propostas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) na rede de ensino enfureceu os pais e estudantes de diversas cidades. E não é para menos. Tudo feito sem discussão com a sociedade, mais uma vez.

Só que não

Depois que a decisão foi anunciada, o governador disse que sua gestão está aberta ao diálogo. Só que também afirmou que a mudança é irreversível. O diálogo, pelo visto, não vai resolver muita coisa. Durante visita a Holambra ontem, o tucano afirmou que os protestos de alunos “têm política misturada a movimentos que não são das escolas”.

Mancada

O governador deu uma alfinetada na USP ontem, logo após ouvir o pedido do prefeito Fernando Fiori de Godoy (PTB) para que fosse instalada uma Fatec na cidade. Alckmin disse que era preciso avaliar que cursos seriam de interesse para formar pessoas em profissões que sejam regulamentadas. “Até a USP já deu mancada, com o curso para formar obstetriz, cuja profissão não é regulamentada. A mesma coisa com o curso de gerontologia”, disse. Os dois diplomas não são reconhecidos pelos conselhos.

Só com cartão

A Prefeitura de Campinas publicou ontem no Diário Oficial uma circular para informar os funcionários do Hospital Mário Gatti que a implantação do cartão ponto terminou e que, a partir do dia 1° de dezembro, não serão admitidos registros que não sejam pelo novo sistema. Faltas, atrasos ou saídas injustificadas vão resultar em desconto nos salários. O hospital é o primeiro a adotar o sistema na cidade. A Prefeitura abriu licitação para os outros setores da Saúde, mas por problemas com a primeira colocada, o processo está atrasado.

COLABOROU MARIA TERESA COSTA/ AAN

Escrito por:

Milene Moreto