Publicado 09 de Novembro de 2015 - 19h11

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AAN

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Todo dia de muitos modos jogadores de futebol, artistas, políticos, professores, pessoas comuns, etc., têm sido vitimas do racismo no Brasil e no mundo. O racismo é uma atitude covarde, pois as pessoas são julgadas e condenadas não por aquilo que elas são, mas pela cor de sua pele, cabelo, roupa, etc. O racismo é um preconceito embutido nas pessoas que não são capazes de conviver com o diferente.

A convivência com o diferente implica numa atitude de respeito e aceitação da pessoa como ela é. O outro é justamente uma pessoa diferente de mim, porém com a mesma dignidade em seu ser ontológico. As pessoas são realmente diferentes, ninguém é igual a ninguém. Somos únicos em nossa existência pessoal, em nossos condicionamentos biológicos, sociais e, educacionais. Saber viver em sociedade, sobretudo, em tempos atuais é saber conviver com o pluralismo das idéias e das vidas. A sociedade pós-moderna, fragmentada em sua concepção existencial, efêmera em seu posicionamento diante do mundo, comporta uma série de atitudes que devem ser acolhidas como expressão da diversidade na igualdade. Expressões racistas em nosso cotidiano apenas revelam um preconceito superficial de quem não conhece as pessoas em sua essência. Olhares superficiais denotam ignorância e visam prejudicar o outro em sua capacidade de expressão pessoal. O caso do jogador Hulk e tantos outros apenas espelham o retrato de uma sociedade doente e perdida.

A Ética Cristã enquanto ética que pauta seus valores na mensagem e na vida de Jesus de Nazaré não pode compactuar com atitudes e comportamentos racistas. O comportamento racista não respeita a história e a identidade das pessoas, muito menos, sua essência enquanto ser dotado de dignidade. A consciência moral em sua liberdade contextual procura valorizar a pessoa humana não por aquilo que ela aparenta (cor da pele, riquezas, etc), mas por aquilo que ela é. Antes de julgarmos uma pessoa, ou mesmo de condenarmos sua postura, é necessário conhecê-la por dentro. O conhecimento superficial constrói uma imagem falsa que nem sempre condiz com a verdadeira realidade da pessoa. A Ética Cristã, por ser Cristocêntrica e Personalista analisa o comportamento de Jesus diante dos muitos casos de preconceito da sua época. Jesus olhou com profundo amor e compreensão para cada ser humano, sobretudo, para aqueles que a sociedade condenava como pecadores e pobres. A atitude de Jesus foi sempre a atitude de alguém que procura compreender o ser humano em sua totalidade, ao mesmo tempo, que denunciou os sistemas de opressão cultural de sua época. Jesus não compactuou com a moral farisaica, que valorizava o exterior e não cuidava do interior. Ele criticou os que eram apegados à lei (legalismo) e se esqueciam do amor de Deus. 

O amor de Jesus transformou vidas, porque compreendia as pessoas e suas condições reais de existência. Jesus não julgava pelas aparências, nem excluía pelas imposições morais da época. Jesus criticou os condicionamentos morais. Ele foi profeta no bom sentido da palavra, porque denunciava a violência que maltratava o povo em todos os sentidos (econômico, político, cultural, religioso, etc.). O racismo e os racistas não compreendem o amor de Deus, centrado na pessoa humana (imagem e semelhança de Deus) e suas necessidades materiais e espirituais. Qualquer pessoa, cristã ou não, deve combater com palavras e exemplos todo e qualquer comportamento que venha ferir a dignidade da pessoa humana em sua ontologia primeira.