Publicado 16 de Novembro de 2015 - 10h32

Por Alenita Ramirez

Alunos protestam contra a reorganização escolar promovida pelo Governo do Estado de São Paulo

Leandro Ferreira/ AAN

Alunos protestam contra a reorganização escolar promovida pelo Governo do Estado de São Paulo

Alunos das escolas estaduais Carlos Gomes e Francisco Glicério, em Campinas, travaram o trânsito na manhã desta segunda-feira (16) na região central, durante protesto contra a reorganização das instituições no estado de São Paulo. Esse é o segundo ato que os alunos promovem em quatro dias.

Um grupo de cerca de 200 alunos, segundo a Guarda Municipal (GM), se concentrou a partir das 7h45 na Praça Carlos Gomes, e, por volta das 8h55, saiu em passeata rumo a diretoria regional de ensino, no Jardim Guanabara. Não houve incidentes.

Munidos de faixas, cartazes, buzinas e com o grito "a escola é nossa" , os alunos começaram pela faixa da direita da Rua Irmã Serafina e seguiram pelas avenidas Anchieta e Brasil (sentido bairro), Rua Alberto Faria até a Rua Rafael Sampaio, onde fica o prédio da diretoria de ensino. Neste local houve bloqueio da via entre as 10h e 11h30.

Enquanto os alunos estavam pela Avenida Anchieta e Orosimbo Maia, houve congestionamento até a Avenida Moraes Salles. Como os ônibus não podiam passar, muitos passageiros que seguiam até a região da Rua Coronel Quirino decidiram descer e caminhar.

"Estou atrasada para o trabalho e não posso esperar mais. O jeito é ir a pé", disse a doméstica Maria da Glória Santana Gomes, 50 anos. "Não sou contra os protestos, mas os alunos podiam fazer de uma forma que não prejudicasse o trabalhador", acrescentou.

A passeata durou cerca de uma hora. Durante a caminhada, os alunos fizeram paradas de até 10 minutos e distribuíram panfletos com a pauta de reivindicação. Na pauta constava itens de desabafo em relação a reorganização e pedidos interno da escola Carlos Gomes como criação de um grêmio, a transparência de gastos e a repreensão de alunos por conta das manifestações.

Na sexta-feira passada, cerca de 400 alunos do período da manhã manifestaram contra a decisão do governo e saíram em passeata até a Escola Francisco Glicério. O ato também causou congestionamento no trânsito.

Uma comissão formada por quatro alunos e três professores foi recebida pelo dirigente regional Campinas Leste, Nivaldo Vicente. "Conversei com os alunos e fiquei de dar uma resposta para eles em 48 horas sobre os pedidos que fizeram. Expliquei sobre a reorganização escolar. O protesto foi tranquilo e é um direito deles fazerem" , comentou Vicente.

Sobre outros itens da pauta, o diretor alegou que o estado contrata professores o ano todo e garantiu que enviará um comunicado às escolas para que não haja punições aos alunos que participaram dos atos. "Se eles perderam alguma avaliação, será dada outra oportunidade", frisou.

A passeata foi acompanhada por agentes de mobilidade urbana da Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), GM e Polícia Militar (PM).

Mudanças

A região de Campinas terá 55 escolas estaduais com ciclo único de ensino a partir de 1º de fevereiro de 2016. Só em Campinas, são 16 escolas. No caso da Carlos Gomes, haverá o fim do Ciclo I, que vai do 1º ano ao 5º ano, do ensino médio e do EJA no período noturno. O Ciclo I será transferido para a Escola Francisco Glicério e o Ensino Médio para o colégio Adalberto Nascimento, no Taquaral.

No geral, as instituições estaduais de ensino listadas ficarão divididas de acordo com os ciclos de educação, em unidades de ensino médio, unidades para os anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e unidades para os anos finais (do 6º ao 9º ano).

Grande SP tem 16 escolas ocupadas

A Capital e a Grande São Paulo tinha ontem um total de 16 escolas estaduais ocupadas por estudantes, pais e professores e pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

Pela manhã, o MTST informou fazer manifestação em mais duas unidades: Escola Estadual Professor Flávio José Negrini e Escola Estadual Professora Neyde Sollit, ambas na região de Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Além disso, houve uma ocupação na Escola Estadual João Kopke, na Alameda Cleveland, região central, confirmada pela Polícia Militar.

Os atos são realizados contra a reorganização das escolas para ter só um ciclo por unidade (Ensino Fundamental de 1° a 5° ano, de 6° a 9° ano e Ensino Médio) e o fechamento de 93 unidades em todo o Estado.

Segundo a Secretaria de Estado de Educação, dois colégios que haviam sido invadidos na última semana foram desocupados: Escola Estadual Pio Telles Peixoto e Escola Estadual Elizete Oliveira Bertini.

Além disso, a pasta afirma que a Escola Estadual Mary Moraes registrou apenas uma manifestação, mas a unidade não foi invadida. Na Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, os estudantes desde o início da semana passada.

Uma liminar da Justiça havia liberado a reintegração de posse do prédio na sexta, mas após pedido do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública, o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi voltou atrás e revogou a decisão. (Agência Estado)

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Alenita Ramirez