Publicado 15 de Novembro de 2015 - 20h37

Por Moara Semeghini

A professora de história campineira Marina Cavicchioli, de 39 anos, chegou a Paris há quase seis meses para fazer pós-doutorado em História e Arqueologia Clássica no Collège de France

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A professora de história campineira Marina Cavicchioli, de 39 anos, chegou a Paris há quase seis meses para fazer pós-doutorado em História e Arqueologia Clássica no Collège de France

A professora de história campineira Marina Cavicchioli, de 39 anos, chegou a Paris há quase seis meses para fazer pós-doutorado em História e Arqueologia Clássica no Collège de France. Na última sexta-feira (13), ela esteve a poucos metros dos ataques terroristas que chocaram o mundo. 

Quase no fim da entrevista concedida ao site do Correio pelo WhatsApp, Marina assustou-se com com um alarme falso de bomba. Ela estava em frente à Praça da República, onde muitas pessoas prestavam homenagens às vítimas e escreveu: “Acaba de acontecer uma coisa aqui... fechou a Repulique... acaba de acontecer algo”. Pouco depois, uma testemunha afirmou que um copo com uma vela explodiu e o susto causou pânico nas pessoas.

Ao lado do terror

Pouco antes dos atentados, Marina saiu da Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) onde fazia pesquisas e, de lá, foi até a casa de uma amiga brasileira no bairro parisiense de Marais. Por volta das 21h15, ela conta que ouviu 'estouros' e chamou a atenção da amiga: “Estranhei os barulhos que pareciam ser de uma sequência de rojões, pois isso não é comum aqui na França”. A campineira deixou a casa da amiga por volta das 22h – horário em que os ataques já tinham acontecido – e pegou um metrô na estação Châtelet rumo à sua casa.

“Colegas de Paris começaram a me ligar desesperadamente enquanto eu estava no metrô, mas só consegui atender à uma amiga que me disse que tinha acontecido alguma coisa e que parecia ser um tiroteio”, conta. Assim que chegou em casa, viu diversas mensagens e ligações de amigos e familiares preocupados. “Assim que cheguei em casa, comecei a ouvir muitas sirenes de ambulâncias e carros de polícia. Liguei para minha mãe em Campinas e para minha irmã, em Brasília, e respondi aos amigos, dizendo que estava bem”.

Clima pesado

As autoridades francesas pediram para que as pessoas não saíssem às ruas neste sábado (14). O clima, segundo ela, estava muito pesado. “As pessoas estavam muito tensas, tristes e com medo. Algumas amigas brasileiras estavam desesperadas e querendo voltar para o Brasil”, desabafa.

No domingo (15), “amanheceu um dia lindo em Paris”, diz Marina. Ela disse que o sentimento das pessoas em geral mudou. “Domingo predominou um sentimento de que, mesmo com a ameaça, a vida não pode parar. Grande parte dos franceses acredita que, se eles se entregarem, os terroristas terão o que eles querem”, explica. “Neste domingo, os sentimentos se misturaram entre paz, revolta e medo”. 

País acolhedor

"A França ainda é um dos países mais acolhedores do mundo. Acolhe estrangeiros e imigrantes e os insere dentro da sociedade", afirma Marina.

Segundo a campineira, apesar de o sentimento geral de que novos ataques possam ocorrer, parece que impera - ao lado do medo - um sentimento de triunfo, de celebração da vida. "Muito mais gente do que o normal me convidou neste domingo para almoços e jantares em casa, acompanhados de bons vinhos e de pessoas próximas. Talvez eles nem tenham se dado conta disso, mas consigo perceber esse sentimento de triunfo", acredita.

Escrito por:

Moara Semeghini