Publicado 13 de Novembro de 2015 - 19h08

Por Maria Teresa Costa

Área, doada pela Prefeitura, que receberá o futuro hospital: pedra fundamental será lançada no próximo dia 29

Elcio Alves/11set2015/AAN

Área, doada pela Prefeitura, que receberá o futuro hospital: pedra fundamental será lançada no próximo dia 29

A construção do Hospital do Câncer de Barretos, em Campinas, está prevista para começar em janeiro para que, até o final do ano, essa unidade referência mundial no diagnóstico e tratamento de câncer, possa iniciar as atividades.

Com os recursos garantidos, a instituição fará o lançamento da pedra fundamental do hospital no próximo dia 29. Ele será construído no Parque Itália, em terreno doado pela Prefeitura, em frente ao Hospital Mário Gatti. A previsão é que 350 mil exames diagnósticos de câncer sejam realizados em cinco anos.

O Hospital de Câncer de Barretos é o maior e mais avançado hospital oncológico do país com atendimento total pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os recursos necessários à obra já estão depositados na conta do hospital — são R$ 69,9 milhões, bancados com parte da indenização por danos morais coletivos pagos pelas empresas Raízen Combustível S/A, a antiga Shell e Basf S/A, no episódio de contaminação do meio ambiente e de 1058 trabalhadores em uma fábrica de agrotóxico em Paulínia, que ficou conhecido em todo Brasil, como caso Shell.

O secretário municipal de Saúde, Cármino de Souza, disse que a expectativa é que, nos primeiros três anos de funcionamento do hospital, o número de diagnóstico de câncer aumente, especialmente em tumores iniciais, pela facilitação do acesso ao diagnóstico.

A unidade de Campinas irá vai contar com diagnóstico de quatro tipos de cânceres — colo de útero, pele, mama e pulmão e estará apta também para pequenos procedimentos, como punções.

O tratamento, disse Cármino, ficará por conta do Município e esse foi o motivo de a Administração ter definido a localização do Hospital do Câncer perto do Hospital Municipal Mario Gatti, que possui um centro de oncologia.

O projeto prevê ainda a compra e montagem de quatro carretas equipadas para diagnóstico que rodarão a cidade para facilitar o acesso da população aos exames. É possível, disse o prefeito Jonas Donizette (PSB), que as carretas já possam começar a circular enquanto o hospital é construído.

Essas unidades móveis realizam o rastreamento do câncer de mama, colo de útero, próstata e câncer de pele através de exames preventivos na população.

No caso do câncer de pele, além dos exames, os pacientes podem ser tratados na própria unidade móvel, equipada com um centro cirúrgico completo para a realização de cirurgias ambulatoriais.

Para poder atuar de maneira eficiente e especializada, as unidades móveis de prevenção realizam diferentes tipos de exames e vão a diferentes localidades do país.

Algumas unidades realizam exames preventivos de câncer de mama e colo uterino e outras efetivam exames preventivos de pele, próstata e colo uterino.

Recursos são de parte das indenizações do Caso Shell 

Os recursos recebidos pelo Hospital do Câncer de Barretos, de R$ 69,9 milhões, são parte de um total de R$ 200 milhões pagos em indenizações pelas empresas Shell e Basf, no caso de contaminação em Paulínia.

Uma parte dessa indenização, de R$ 96 milhões, foi destinada pelo Ministério Público do Trabalho a cinco entidades que apresentaram projetos em pesquisa científica e que atuam no tratamento por contaminação química.

O Hospital do Câncer de Barretos recebeu a maior parte do repasse. A proposta prevê a pesquisa, prevenção, tratamento e educação de oncologia, com quatro unidades móveis que vão circular pela periferia de Campinas.

Além disso, será construído um hospital no Município, que vai oferecer exames como mamografia digital e Papanicolau, além de tratamento da doença.

O Centro Boldrini de Campinas recebeu uma quantia de quase R$ 20 milhões para a realização de estudo epidemiológico que investigará o impacto do meio ambiente na incidência do câncer da criança e do adolescente.

A verba será utilizada na confecção de questionários, que acompanharão a criança, desde o período de sua gestação, até completar 18 anos, comparando os casos de câncer que surgirem neste período com o ambiente em que elas vivem. Essa pesquisa deverá atingir cerca de um milhão de pessoas.

A Fiocruz de Pernambuco recebeu R$ 1,5 milhão para mapear a situação do trabalhador que faz uso de agrotóxicos.

A Fiocruz do Rio de Janeiro recebeu R$ 3,6 milhões desenvolverá a mesma pesquisa e a Universidade Federal da Bahia/Fundacentro recebe R$ 1,5 milhão para mapear a exposição à produção de amianto.

Escrito por:

Maria Teresa Costa