Publicado 12 de Novembro de 2015 - 20h26

Por Inaê Miranda

No início de janeiro deste ano, a tarifa em Campinas subiu de R$ 3,50 para R$ 3,80

Elcio Alves/ AAN

No início de janeiro deste ano, a tarifa em Campinas subiu de R$ 3,50 para R$ 3,80

O transporte público de Campinas contará a partir de janeiro com um sistema que permite o reconhecimento dos passageiros por biometria facial.

A tecnologia começou ser instalada esta semana nos ônibus e tem o objetivo de evitar o uso indevido dos cartões de usuários que tenham gratuidade na passagem, como é o caso de idosos e de pessoas com deficiência, ou que façam uso dos bilhetes únicos com desconto, como é o caso dos cartões escolares e universitários. O sistema deve custar R$ 6 milhões às concessionárias.

O investimento será feito na aquisição de câmeras, validadores de cartões para toda a frota de Campinas, que correspondente a mil ônibus. A câmera instalada no veículo registra o rosto da pessoa que passa na catraca com o Bilhete Único.

Uma central de monitoramento identifica se o cartão pertence ou não à pessoa que está utilizando, a partir da comparação das imagens capturadas dentro do ônibus com as imagens de cadastro.

No caso das imagens não serem correspondentes, é feita a rechecagem manual por funcionários. Se confirmada a fraude, o bilhete é bloqueado automaticamente.

Segundo dados da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), em outubro deste ano foram transportados 12,3 milhões de passageiros, entre os quais 7,8 milhões pagaram passagem.

A empresa calcula ainda que dentro do universo dos 12 milhões, 1,4 milhão de viagens foram realizadas com algum tipo de benefício.

Desse total de viagens feitas com algum benefício, a Transurc estima que entre 5% e 10% foram feitas com uso indevido do cartão.

“Atualmente, o número de fraudes contra o sistema de transporte público é alto. A utilização de benefícios por quem não tem esse direito acaba onerando o sistema, com prejuízos para toda a população”, afirma Belarmino da Ascenção Marta, presidente da Transurc.

Paulo Barddal, diretor de comunicação e marketing da Transurc, explicou que a câmera faz a identificação do passageiro utilizando vários parâmetros comparativos, como distância entre os olhos, entre o nariz e a boca e outras características que não se alteram na face das pessoas. “Se outra pessoa tiver usando o cartão, o sistema vai bloquear”, afirmou.

Até um ano atrás, a fiscalização era feita de forma aleatória nos veículos, por um funcionário. Atualmente, a fiscalização é feita de forma eletrônica. O sistema identifica cartões com números de viagens que fogem aos padrões normais. “Nesses casos, a gente chama a pessoa para explicar e, se ficar confirmada a fraude, a gente bloqueia”, disse Barddal.

Ainda segundo ele, entre janeiro e fevereiro, a frota das concessionárias, com 1 mil veículos, começa a operar com o novo sistema. Barddal comentou que, com a implantação do sistema no município, não haverá necessidade de substituição dos cartões. O transporte coletivo de cidades como Limeira, Águas de Lindoia e Ribeirão Preto já trabalham com a biometria facial.

Usuários são favoráveis ao novo controle

A aposentada Josefina Nespoli, de 85 anos, teve o cartão bloqueado após uma funcionária furtá-lo há nove anos. Ela conta que é favorável à implantação da tecnologia.

“Qualquer coisa que fizer para os idosos é bom. Eu tinha uma pessoa que trabalhava para mim todos os dias. Ela roubou o meu cartão. Certo dia mandaram (a Transurc) todos os papéis na minha casa, com o número do ônibus que ela tomava, a hora que ela tomava. Identificaram a fraude e levaram o meu cartão. Eu ando no ônibus com a minha identidade, mas eu queria o meu cartão. Então, acho que isso do aparelhinho no ônibus é uma boa coisa porque deve ter muita gente usando cartão de idoso”, disse a usuária.

O eletricista Jairo Vicente Ferreira, de 35 anos, afirmou que também apoia o sistema para evitar que os bilhetes gratuitos não sejam usados de forma errada. A diarista Simone Viscola Benvindo, 43 anos, é outra passageira que é a favor da nova medida de controle.

“Eu acho essencial. Se tem muita gente usando, é necessário que se tenha esse sistema para banir esse tipo de situação. Todos tem direitos iguais, pois trabalhamos tanto e pagamos pelo transporte. Não acho justo que algumas pessoas paguem e outras não”, disse.

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Inaê Miranda