Publicado 12 de Novembro de 2015 - 18h39

Por Gustavo Abdel

Interior da Escola Estadual Professor Geraldo Alves Corrêa, que desativada no final do ano passado

Janaína Ribeiro/ Especial a AAN

Interior da Escola Estadual Professor Geraldo Alves Corrêa, que desativada no final do ano passado

Moradores da região do Jardim Santana, em Campinas, criticam o abandono de uma escola estadual no bairro e reivindicam uma nova destinação para o prédio.

A EE Professor Geraldo Alves Corrêa foi desativada no final do ano passado para abrigar um arquivo do Estado. A população quer que o espaço se torne uma unidade infantil municipal e, assim, consiga zerar o déficit de crianças que precisam de berçário naquela região.

A secretária municipal de Educação de Campinas, Solange Pelicer, informou que está em processo de negociação com o Estado para avaliar a viabilidade ou não de utilização do local.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Núcleo Residencial Gênesis, Willian Gonçalves Martins, em toda a região Leste, incluindo os bairros Santana, Gênesis, Nilópolis, Getúlio Vargas e outros, o déficit até setembro desse ano era de 80 a 90 vagas de berçário faltantes.

Segundo Martins, em setembro do ano passado apresentou um levantamento para a secretaria de Educação de Campinas, mostrando três possíveis áreas para construção de novas creches.

"Esse levantamento fizemos a partir do pedido da própria secretaria de educação. Na época nos informou que era impossível ampliar o número de vagas por que não havia espaço para construir novas unidades, e nos pediu indicações de áreas. Sendo assim fizemos um levantamento detalhado e apresentamos três possibilidades", mostrou o presidente.

Segundo ele, o documento com mais de 300 assinaturas colhidas entre os moradores foi entregue na secretaria de educação em setembro de 2014. "Não obtivemos respostas até o momento", reclama Martins.

"Uma opção para suprir esse déficit seria utilizar essa escola desativada. Isso iria ajudar muito as mães que hoje não têm onde deixar seus filhos recém-nascidos", apontou. Uma quadra teve a cobertura inaugurada há poucos dias de ser fechada, segundo o presidente da associação.

A escola estadual foi desativada no ano passado, segundo Nivaldo Vicente, dirigente regional de ensino de Campinas (região Leste), porque não tinha demanda de alunos.

"Havia somente quatro turmas e 62 alunos do sexto ao nono ano do Ensino Médio", explicou o dirigente. Os alunos foram remanejados para a escola estadual Moacyr Santos de Campos, no Jardim Nilópolis.

Hoje a escola se transformou em um "núcleo de vida escolar", ou seja, arquiva 77 mil históricos de ex-alunos de unidades do Estado que já fecharam em Campinas.

Quanto à quadra, o dirigente informou que ela não está abandonada, e que é utilizada pela comunidade e que tem uma pessoa responsável pela chave do local.

"A Prefeitura nos procurou quando a escola foi fechada, e nos colocamos à disposição", disse Vicente.

Desde então a municipalidade não entrou mais em contatado com a secretaria estadual para tratar sobre a utilização ou não do espaço. Vicente garantiu que o fechamento da escola não faz parte da reorganização no ensino que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) está colocando em prática.

Já a secretária de Educação de Campinas, Solange Pelicer, disse que demosntrou interesse para avaliar se é possível transformar em creche a escola. De acordo com Solange, a parte interna é adequada para receber crianças.

"Está em processo de negociação", resumiu. Quanto ao documento apresentado pela associação de moradores, Solange disse que não teve acesso, e sugere que uma cópia esteja em análise na diretoria de arquitetura escolar da secretaria. "Esse documento não chegou ao meu gabinete" , disse.

Sobre o déficit de vagas, a secretaria explicou que um novo desenho de demanda está sendo feito a partir do planejamento do ano que vem. Ela informou que a demanda por vagas de 1,5 ano a 3 anos conseguiram ser zeradas na região Leste, mas reconhece que há uma demanda naqueles bairros.

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Gustavo Abdel