Publicado 10 de Novembro de 2015 - 21h53

Por Adriana Leite


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"Campo" de energia solar: região de Campinas tem potencial para ser polo de produção de equipamentos de geração

Num ano em que a indústria sentiu no caixa o peso da alta da energia elétrica, os empresários de Campinas querem incentivar a geração do insumo por fontes renováveis - e transformar a região em um polo de produção de equipamentos para o setor.

Este será um dos focos de discussão do o Campetro Energy 2015, que será realizado nesta quarta-feira (11) promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no Expo Dom Pedro.

A cadeia de petróleo e gás também estará no foco de discussões e a rodada de negócios do segmento deve resultar em contratos de R$ 4 milhões nos próximos seis meses. O evento deve reunir pelo 1.500 pessoas.

A palestra inaugural desta 4ª edição do evento está a cargo do Secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. Ele vai falar sobre as futuras expansões do setor elétrico brasileiro.

O diretor-titular da Regional Campinas do Ciesp, José Nunes Filho, afirmou que o evento deste ano ampliou o foco e agregou a discussão sobre a geração de energia elétrica.

“O Campetro nasceu como um evento para fomentar os negócios da cadeia de petróleo e gás na região de Campinas. Mas queremos ir além e discutir todas as formas de energia. Neste ano, a indústria sofreu muito com o alto custo de energia elétrica, um problema que pode ser contornado, já que o País tem um potencial imenso de geração de fontes alternativas e cogeração”, comentou.

Nunes Filho lembrou que o setor de petróleo e gás passa por um momento complicado, com cortes de investimentos e projetos.

A partir da Operação Lava Jato e do esquema de corrupção que atingiu a Petrobras, houve uma reação em toda a cadeia e projetos de infraestrutura foram suspensos. Mas o diretor do Ciesp acredita que em breve a companhia irá retomar a capacidade de injetar recursos em novos projetos.

Ele comentou que o evento terá painéis para o debate do modelo energético brasileiro e a ampliação das fontes renováveis.

“O setor industrial teve neste ano um aumento de pelo menos 50% no custo da energia elétrica. O Brasil é dependente da geração hidrelétrica e da termelétrica e foi o custo do uso das usinas térmicas que pesou na conta em 2015, depois que o reajuste foi represado no ano passado por causa das eleições. Agora, todos pagamos essa altíssima conta”, criticou.

Para ele, o potencial energético do País é muito grande, e a ampliação das fontes renováveis é um caminho para futuramente baratear o valor da energia elétrica. “Em vários outros países, as gerações eólica e fotovoltaica já são largamente utilizadas. Temos um potencial imenso a ser explorado, mas pouco se investe para aumentar o uso dessas fontes”, disse Nunes Filho.

O empresário afirmou que o Campetro também tem como objetivo discutir o fortalecimento de Campinas e região como um polo de desenvolvimento de tecnologia e equipamentos para geração de energia renovável.

“A empresa BYD, que está se instalando em Campinas, vai fabricar painéis solares fotovoltaicos. ACPFL tem uma usina de energia solar no bairro Tanquinho. E várias instituições de pesquisa locais têmtecnologias sendo desenvolvidas nessa área”, enumerou, lembrando ainda da a cogeração de energia por biomassa, outra vertente importante naregião.

Rodada de Negócios

Mesmo com um cenário desafiador neste ano, após as denúncias da Operação Lava Jato, a estimativa é que o setor de petróleo e gás possa gerar de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões em negócios durante a rodadade negócios que acontece na Campetro 2015.

“As rodadas de negócios servem para fazer a ponte entre as empresas, principalmente entre pequenas e grandes companhias”, salientou Nunes Filho. Para facilitar ainda mais o proceso, o evento contará com uma sala de crédito aberta aos interessados em obter financiamento.

SERVIÇO

O quê: Campetro Energy – Congresso, Sala de Crédito, Atendimento do Programa NAGI e Rodada de Negócios

Quando: nesta quarta-feira (11), das 8h às 18h

Onde: Expo Dom Pedro (Avenida Guilherme Campos, 500, Bloco II, anexo ao Shopping D. Pedro)

Informações: www.campetro.org.br

‘Sobra’ da bandeira vermelha vai amenizar os reajustes

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu audiência pública para permitir que as sobras de arrecadação da Bandeira Tarifária possam ser usadas para gerar um desconto maior nas contas de luz nos próximos reajustes tarifários das distribuidoras.

Pela proposta, esse saldo remanescente da Conta de Bandeiras Tarifárias passaria a ser corrigido pela Selic, resultando em um impacto mais relevante nos próximos processos tarifários.

Mesmo com a redução do preço da bandeira vermelha de R$ 5,50 para R$ 4,50 por 100 killowatts-hora consumidos desde setembro, no momento a arrecadação da bandeira vermelha é maior do que a necessária para cobrir os custos com a compra de energia das usinas térmicas, mais cara.

Pelas regras do regime das bandeiras tarifárias, os valores pagos a mais nesse momento pelos consumidores deverão ser compensados nos próximos reajustes anuais das contas de luz. E como há correção pela Selic, a compensação do saldo remanescente de 2015 será mais vantajosa para os consumidores.

Até o fim do ano, a Aneel também deverá deliberar sobre os valores da bandeiras tarifárias para o ano de 2016. Existe ainda uma proposta para se estabelecerem patamares intermediários para as bandeiras.

A Aneel também abriu audiências públicas para a 4ª Revisão Tarifária Periódica de distribuidoras do grupo CPFL que atendem diversas regiões no Interior do Estado de São Paulo. As novas tarifas para os consumidores dessas empresas devem entrar em vigor apenas em 3 de fevereiro de 2016.

Para a CPFL Mococa, a proposta da Aneel é de um aumento médio de 15,64% nas tarifas. Para a CPFL Sul Paulista, a proposta prevê um reajuste médio de 15,37%. No caso da CPFL Jaguari, a Aneel estima um aumento médio de 16,20% nas tarifas. Para a CPFL Leste Paulista, 18,15%, e para a CPFL Santa Cruz, 4,36%.

O período para as consultas públicas vai de 12 de novembro a 17 de dezembro deste ano e a Aneel deve deliberar sobre os percentuais de reajuste para essas companhias no fim de janeiro de 2016. (Agência Estado)

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Adriana Leite