Publicado 10 de Novembro de 2015 - 20h48

Por Maria Teresa Costa


Cedoc/ RAC

A transferência dos 400 voos domésticos diários para o novo terminal do Aeroporto Internacional de Viracopos poderá ter início no próximo mês, quando as obras do Píer C, destinado aos voos nacionais, estarão concluídas, informou a Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), concessionária do terminal de Campinas.

A previsão é que, se não houver nova interrupção no fluxo de recursos, a área doméstica será concluída em dezembro, mas a finalização total das obras de ampliação do aeroporto ficará para 2016, porque não haverá condições de entregar o Píer B, uma área mista de voos nacionais e internacionais, este ano.

Pelo contrato de concessão, Viracopos deveria ter sido concluído um mês antes da Copa do Mundo, em maio do ano passado.

O calendário de transferência dos voos depende ainda do término das negociações entre a gestora do aeroporto e as empresas aéreas.

O mais provável é que Gol e TAM sejam as primeiras a fazer a transferência e a Azul, que tem maior número de operações, seja a última, mantendo o atendimento dos passageiros no embarque e desembarque ainda no terminal antigo até o final da alta temporada.

A retomada, em ritmo ainda lento, foi possível com recursos dos acionistas da ABV, que fizeram um aporte de R$ 32 milhões, de verbas do fluxo de caixa da concessionária, além de liberações de bancos privados e do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No total, o aporte somará R$ 115 milhões, ainda insuficientes para concluir a obra do novo terminal de passageiros. A concessionária definiu a término das obras que permitirão a transferência dos voos domésticos para o fim do ano.

Para isso, os gestores de Viracopos estão contando com a liberação do empréstimo do BNDES, aprovado em junho, no valor de R$ 630 milhões.

Desse total, uma pequena parte foi liberada, o que permitiu a retomada das obras e pagamento dos fornecedores, além de iniciar a contratação de funcionários. O banco vem liberando os recursos do financiamento, aos poucos, o que ainda não permite que as obras sigam com mais rapidez.

A primeira fase de transferência para o T1 foi iniciada em dezembro de 2014 com todos os voos internacionais passando para o Píer A (internacional). Nos primeiros oito meses do ano, 445,4 mil pessoas utilizaram as novas instalações do aeroporto para voar para o exterior.

O Píer B, que ficará para 2016, será destinado aos novos voos que forem agregados a Viracopos — ou seja, seu funcionamento, mesmo que estivesse concluído, não começaria este ano.

Para o volume de voos atuais, nacionais e internacionais, os píeres A e C são suficientes. O B ficará como um píer de espera da capacidade que Viracopos terá em atrair novas empresas áreas e ampliação de voos das atuais companhias.

A Aeroportos Brasil é controlada pela UTC Participações, pela Triunfo Participações e Investimentos S.A. e pela empresa aeroportuária internacional Egis Airport Operation, que opera 13 aeroportos no mundo, além de Viracopos.

A UTC, envolvida na Operação Lava Jato, colocou sua parte em Viracopos à venda. Ela tem 23% de participação na Aeroportos Brasil Viracopos (ABV) o que equivaleria, segundo avaliação do mercado, entre R$ 300 milhões e R$ 450 milhões.

O grupo UTC recebeu três ofertas para a compra de sua participação no Aeroporto Internacional de Viracopos e a maior delas, de R$ 564 milhões, foi feita pelo fundo americano Fortress, que se associou à empresa de engenharia e construção WTorre e à empresa de investimentos com base em São Paulo Invixx.

Está sendo esperada a movimentação da Triunfo, sócia da UTC em Viracopos, que pode cobrir a oferta do Fortress e tem direito de preferência.

Terminal de cargas será totalmente automatizado

As operações no Terminal de Cargas de Viracopos serão totalmente automatizadas até o fim do ano. O investimento, de R$ 9 milhões, inclui a implementação do Warehouse Management System (sistema de gerenciamento de armazém), do novo sistema de Controle Alfandegário e do Sistema de Billing (tarifação e faturamento).

Com a implantação do sistema em Viracopos, a eficiência logística será melhor, com maior competitividade e redução de custos. A ferramenta foi implantada em março no Terminal da Exportação, em setembro no Terminal de Importação e desde então vem havendo a transferência do sistema tradicional para o novo.

Até o fim do mês, toda importação já ocorrerá de forma automatizada, faltando apenas implantar o processo no Terminal de Perdimento, onde ficam as cargas apreendidas ou abandonadas pelos importadores. Até dezembro, o processo deve estar finalizado. 

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Maria Teresa Costa