Publicado 10 de Novembro de 2015 - 20h33

Por Gustavo Abdel

Jovens em capacitação no trabalho social da Guardinha de Campinas: 60 mil formados em cinco décadas

Janaína Ribeiro/ Especial para a ANN

Jovens em capacitação no trabalho social da Guardinha de Campinas: 60 mil formados em cinco décadas

A Associação de Educação do Homem de Amanhã (Aedha), tradicionalmente conhecida como Guardinha de Campinas, comemora nesta quarta-feira (11) 50 anos de um trabalho social de grande reconhecimento.

Precursora da qualificação de jovens aprendizes difundida em todo o País, a associação se projeta para o futuro com o desafio de manter a mesma qualidade de formação dos jovens, que atualmente são 1,2 mil atendidos.

O jantar comemorativo do jubileu de ouro ocorre a partir das 20h30, no salão social do Tênis Clube, no Cambuí. São esperados mais de 350 convidados, dentre eles pessoas que já passaram pela Guardinha.

De acordo com o presidente da Aedha, Ozéias de Jesus dos Santos, a Guardinha formou ao longo de cinco décadas 60 mil jovens.

Por ano são formados 1,2 mil, com idades entre 14 e 24 anos. A meta é que a Guardinha possa formar pelo menos 300 jovens a mais daqui para frente, espera Santos.

Ao longo desse período de existência, a Aedha conquistou como parceiras cerca de 3.500 empresas e órgãos públicos — os principais responsáveis pela manutenção da associação.

Uma das novidades que será colocada em prática a partir de fevereiro de 2016 será o ingresso dos jovens no setor comercial.

“Estamos fechando parceria com a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) para a partir do ano que vem os jovens terem a experiência no comércio. Já no setor bancário estamos dependendo de uma liberação do Ministério do Trabalho para começarmos a engajá-los também nesse ramo”, explicou o presidente.

Na Guardinha, o jovem tem um contrato de um ano. Durante seis meses, ele recebe diversos tipos de ensinamentos, como noções de informática ou como escrever um ofício, um memorando. Depois, tem mais meio ano na prática.

“Formamos verdadeiros auxiliares administrativos. Selecionamos principalmente os jovens de baixa renda, aquele que tem um rendimento bem abaixo em sala de aula. É impressionante como em um ano até a postura dos jovens muda”, relatou o presidente.

A procura parece ter aumentado nos últimos anos. “Abrimos inscrição para 300 e apareceram 2 mil inscrições”, pontua.

Ao todo são 100 funcionários, sendo aproximadamente 70 professores que atendem a quatro turmas de aprendizes, das 8h às 18h. “

Temos uma ínfima taxa de reprovação dos nossos jovens no mercado de trabalho. Por outro lado, com a crise econômica, a taxa de empregabilidade está em declínio neste ano”, avaliou o presidente.

Coordenador de esportes do Tênis Clube de Campinas, Valter Vieira Lopes, de 45 anos, lembra do período em que foi guardinha, durante quase quatro anos, na década de 1980.

“A Guardinha me deu um impulso profissional, e também contribuiu na parte educacional. Aprendíamos bons costumes, conhecimentos sobre a cidade e noções básicas de escritório e de datilografia”, relembra.

Foi através da guardinha que Valter foi empregado no clube Concórdia, em 1988, e posteriormente no Tênis, onde está desde então. “Fiz educação física, me especializei e hoje sou coordenador de esportes”, conta.

História

[/INTERTITULO]Fundado por Ruy Rodriguez, em 12 de novembro de 1965, a Guardinha passou por diversas transformações em atividades sociais, sendo esta instituição a precursora da qualificação do menor aprendiz hoje difundida em todo o país. Um ano antes da fundação, Rodriguez participou da criação da Guarda de Menores de Campinas, embrião da Sociedade de Educação do Homem de Amanhã. Neste campo sua contribuição é imensa, pois fundou entidades de menores, nos moldes da Guardinha, em muitas cidades, entre elas Brasília, Osasco, Jundiaí, Barra Mansa (Rio de Janeiro), além de colaborar para a fundação de outras instituições.

Visionário, Ruy Rodriguez, que chamava os menores de “pequenos meninos”, achava importante elaborar um programa de atendimento que lhes propiciasse oportunidades de efetiva iniciação profissional. Vale lembrar que, naquela época, o ensino público obrigatório cobria apenas os quatro primeiros anos, o chamado curso primário. Com habilidade e grande liderança social, mobilizou um grupo de cidadãos campineiros. A entidade foi pioneira nesse formato.

Em 1974, a entidade passou a acolher meninas, ampliando a abrangência de seu olhar para o acompanhamento da juventude, no próprio ritmo das conquistas femininas por mais espaço de cidadania.

SERVIÇO

Aedha - Avenida das Amoreiras, 165, bairro Parque Itália

Telefone: (19) 3772-9699

Escrito por:

Gustavo Abdel