Publicado 10 de Novembro de 2015 - 18h32

Por Da Agência Anhanguera

Uma mulher registrou um boletim de ocorrência, em Campinas, para processar um pai de santo que a enganou ao baixar um santo incompatível nela, durante um ritual.

Segundo consta no BO, a moça queria Oxum, mas o pai de santo teria baixado o orixá errado.

Para fazer o trabalho, a moça pagou R$ 8 mil e disse que só descobriu que foi enganada depois de ter passado mal e procurar outros pais de santo.

O ritual teria ocorrido no mês de agosto deste ano, mas o caso só registrado pela vítima na segunda-feira (9).

A princípio o pai de santo foi considerado como averiguado pela Polícia Civil, que abrirá inquérito para investigar a denúncia.

De acordo com o boletim de ocorrência, a jovem de 23 anos é da religião Cadomblé e procurou o religioso para "realizar o santo". No ritual, a jovem raspou a cabeça. Após alguns dias, ela passou mal e teria percebido que havia recebido um orixá errado.

Então a vítima procurou outro pai de santo, que falou que ela estava com energias negativas, pois o guia era incompatível ao que tinha pedido.

"Ninguém passa mal por conta de uma entidade. Talvez ela estivesse ansiosa. A gente sempre indica para as pessoas procurarem orientações em locais confiáveis", explicou Pai Salum, da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo.

"Ninguém consegue trazer um orixá ou guia para qualquer pessoa, sem um tratamento prolongado. É preciso cuidar da pessoa antes", frisou.

Pai Salum afirmou que a federação recebe diversas ligações de pessoas que reclamam terem sido enganadas durante trabalhos, e a orientação é sempre procurar uma delegacia. "Não há como provar que o santo que ela recebeu é o errado" , comentou. 

O boletim de ocorrência foi registrado como estelionato. Diante do caso, o Procon afirmou que se trata de charlatanismo, crime em há a promessa de uma cura ou algo semelhante que não tem como provar, previsto no artigo 283 do Código Penal, com pena de três meses a um ano e multa. Para reclamar no Procon é preciso levar o comprovante de pagamento.

Veja a íntegra do BO: 

'Comparece nesta unidade policial a vítima relatando que é da religião candomblé e que na data dos fatos pagou R$ 8 mil a um pai de santo para "realizar o santo". 

Após a vítima raspar os cabelos da cabeça, num ritual conhecido como "buri" mas o "oro" quem fez os trabalhos foi o "pai pequeno da casa".

Após alguns dias, a vítima passou mal porque foi feito "santo errado", ou seja, estava com o "kelê".

Depois a vítima procurou outro pai de santo que falou que era "kiliza" de santo porque foi feito de "yemanja ogunté" quando o certo era "oxun".

A vítima buscou outro pai de santo e foi informada que foi colocado santo incompatível com "ori" dela.

Vítima inconformada pois o santo não veio até o presente momento, motivo pelo qual procurou esta unidade policial.

Todos os termos entre aspas são desconhecidos pelo elaborador deste RDO que não encontrou termos mais compreensíveis, haja vista a pecularidade da ocorrência. sem mais'.  

 

 

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Da Agência Anhanguera