Publicado 09 de Novembro de 2015 - 19h27

Gláucia: para ela, o País poderá oferecer alimentos processados com compostos bioativos ao mercado mundial

Elcio Alves

Gláucia: para ela, o País poderá oferecer alimentos processados com compostos bioativos ao mercado mundial

A indústria alimentícia é uma das que mais movimentam recursos no mundo. O potencial de consumo de alimentos (refeições dentro e fora de casa) somam R$ 12,5 bilhões na Região Metropolitana de Campinas (RMC) neste ano. Dados da consultoria IPC Marketing mostram que, mesmo em um ano de economia em queda, o segmento terá um aumento de 28,71% em relação a 2014.

Até quarta-feira, pesquisadores de diversos países participam da 11ª edição do Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos (Slaca) realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O tema deste ano é “Ciência de Alimentos: Qualidade de Vida e Envelhecimento Saudável”.

O encontro apresenta as últimas novidades na área dos chamados alimentos funcionais. Mais de 1.500 pessoas participam do simpósio. De acordo com os organizadores, o encontro tem uma programação de 115 palestras e as inscrições podem ser realizadas até esta terça-feira.

A pró-reitora de Pesquisa da Unicamp e presidente do Slaca, Gláucia Pastore, afirmou que as novas tecnologias irão impactar a indústria de alimentos nos próximos anos no País.

“Nos últimos cinco anos, vem acontecendo uma grande transformação na área de alimentos. Existe uma busca por produtos que aumentem o desempenho físico e intelectual. E o Brasil tem uma grande vantagem em relação a outros países porque a nossa biodiversidade nos permite ter muitos compostos fundamentais para o desenvolvimento de produtos”, disse.

Ela comentou que a partir do desenvolvimento de novos produtos processados será possível aumentar as exportações de bens com maior valor agregado.

“O País terá condições de passar de um exportador apenas de commodities in natura para oferecer ao mercado internacional alimentos processados com compostos bioativos da biodiversidade brasileira”, disse. A especialista salientou que para potencializar o uso das substâncias que são encontradas em frutas, verduras e legumes é necessário maior interação entre a academia e a indústria.

Gláucia afirmou que o mote do simpósio deste ano é apresentar pesquisas e debater produtos que possam auxiliar em um envelhecimento mais saudável e na qualidade de vida da população. “O uso de compostos bioativos que preservem a saúde é uma tendência em todo o mundo. As pesquisas apontam que o consumo de alimentos que tragam benefícios como a proteção contra doenças e o fortalecimento do sistema de imunológico vai aumentar”, ressaltou.

Ela observou que o brasileiro consome muitas frutas, verduras e legumes - mas isso não significa que ele mantenha uma dieta alimentar equilibrada e saudável. “Muitas pessoas compram os produtos, mas não comem. A correria do dia a dia acaba afetando o comportamento do consumidor”, disse.

Gláucia completou que outra linha relevante de pesquisas é a utilização de ervase condimentos na alimentação e os benefícios para a saúde.

Pesquisas

A pós-graduanda da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Cíntia Baú Betim, é uma das pesquisadoras dedicadas a explorar as possibilidades dos alimentos funcionais.

Deois estudos desenvolvidos por ela mostraram que o uso de uma farinha feita de casca de maracujá combate doenças inflamatórias intestinais e complicações provenientes da obesidade. “O foco das pesquisas é o reaproveitamento de subprodutos. A indústria utiliza a polpa do maracujá, mas a semente e a casca são descartadas”, contou.

Ela decidiu fazer um composto com os produtos que se transformou em farinha. “O estudo em camundongos e ratos mostrou que a farinha auxilia no combate de doenças inflamatórias intestinais. Ela também se mostrou eficaz em complicações ocasionadas pela obesidade. Os resultados apontam que a ingestão desse produto pode ajudar no combate a doenças”, salientou.

SERVIÇO

11º Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos (Slaca)

Onde: Centro de Convenções da Unicamp

Quando: até quarta-feira

Informações: https://2015.slaca.com.br