Publicado 15 de Outubro de 2015 - 20h27

Por Moara Semeghini

Moara Semeghini

[email protected] FOTO: Leandro/ AAN

Estudantes, professores e diretores das 5 mil escolas estaduais se preparam para um processo de reorganização de toda a rede de ensino, prevista para ser aplicada no início do ano letivo de 2016. O plano é que seja reduzido o número de unidades escolares em que funcionem os três ciclos de ensino – 1º ao 5º do Fundamental; 6º ao 9º do Fundamental; Ensino Médio – e aumente o número de escolas com apenas um ciclo por unidade, segundo informações da Secretaria de Estado da Educação.

Professores, alunos e representantes de movimentos sociais ligados aos partidos políticos PSOL e PSTU, protestarm ontem no Centro de Campinas contra a reorganização da rede estadual. De acordo com a Guarda Municipal (GM), cerca de 150 manifestantes reuniram-se às 13h em frente ao Largo do Rosário, em Campinas. Com cartazes e palavras de ordem, eles caminharam por ruas centrais e chegaram a bloquear parcialmente as avenidas Francisco Glicério e Moraes Sales. Por volta das 15h30 eles chegaram à Avenida Anchieta, em frente à Prefeitura e depois permaneceram nas escadarias do Paço Municipal. Às 8h, manifestantes também protestaram em frente à Catedral Metropolitana.

A notícia do fechamento de unidades de ensino é um dos pontos mais criticados pelos manifestantes. Atualmente, o Estado de São Paulo tem 5.108 escolas, sendo 479 com os três ciclos de ensino; 3.186 com dois ciclos; e 1.443 com um único ciclo.

“Estão pensando em corte de gastos e não na qualidade de ensino”, acredita o professor de filosofia e sociologia do ensino médio Rodolfo Soares, de 26 anos. “Estima-se que, a princípio, 120 escolas estaduais sejam fechadas. A longo prazo, há informações de que 1.500 escolas sejam fechadas”, conclui.

A secretaria de educação explicou que o estado perdeu 2 milhões de alunos em 20 anos, segundo levantamento feito pela Fundação Seade (órgão que elabora análises da realidade socioeconômica paulista). Em 1998 a rede estadual tinha 6 milhões de estudantes matriculados e em 2015 o número é de 4 milhões. “A estrutura física (unidade escolar) que foi preparada há mais de 20 anos para receber 6 milhões de alunos e garantir no estado que todas as crianças e jovens estivessem nas escolas, hoje, viabiliza que eu tenha escolas ociosas”, explica o secretário de Estado da Educação, Herman Voorwald. A queda na taxa de natalidade no estado, a municipalização da educação infantil e a ida de alunos para escolas particulares por conta de uma situação econômica melhor do País nos últimos 20 anos, possibilitaram a dimunição no número de matrículas na rede estadual, segundo a Fundação Seade. “Isso ocasionou carteiras, cadeiras e, principalmente, salas vazias em muitas escolas. É a oportunidade para que a rede de ensino dê um salto de qualidade e possa oferecer às crianças, pré-adolescentes e adolescentes uma escola focada em uma segmentação de ensino”, completa Voorwald.

O secretário de educação acredita que a ação de separar as escolas por seguimento (cliclos de ensino) é fundamental. “O próprio Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ) publicou um relatório em 2015 mostrando o seguinte: quanto menos complexa a gestão da escola, melhor o resultado de aprendizagem. Uma escola menos complexa de gestão, (escola complexa é escola com os três ciclos) viabilizará que a ação educativa ocorra de forma mais correta, por ser mais simples”, explica.

Dados do Saresp e do Saeb (que é uma avaliação nacional) mostram que quanto menos ciclos na escola, melhor o resultado no aprendizagem, e que escolas com ciclo único abrigam alunos com rendimento 10% superior às unidades com três ciclos de ensino.

O plano estabelece que a redistribuição dos alunos respeite o raio de 1,5 km. Se uma escola tiver mais de um ciclo de ensino e não houver outra unidade em um limite de 1,5 km de distância para transferir os alunos, ela continuará do jeito que está, segundo a secretaria.

“A quantidade de estudantes estudam perto de casa e que, com a mudança, terão que deslocar ainda mais para estudar é enorme”, afirma o professor.

Para a estudante do 8º ano da escola estadual Francisco Glicério, Juliana Beltramelli, de 15 anos, a mudança é ruim. “Será difícil mudar de ambiente escolar pois não quero ter que me distanciar de alguns amigos que moram em bairros longe”, explica. A estudante Karina Faria Wolss, que mora no bairro Campo Grande, estuda na mesma escola de Juliana, no Centro. “A escola que existe perto de minha casa é fraca, e já teve até tiroteio. Por isso minha mãe optou por essa”, explica Karina, que tem medo de não poder continuar onde está.

De acordo com a secretaria, o estudante que desejar, poderá permanecer na unidade que está, desde que tenha seu ciclo. Para os alunos que estão matriculados na rede, a transferência ocorrerá automaticamente. A secretaria afirmou ainda que em casos específicos, como o de alunos que moram na zona rural, longe da escola, os jovens têm direito a transporte de graça.

“A mãe que tenha um filho de 7, 8 anos, terá a tranquilidade de saber que seu filho está em uma escola com crianças daquela faixa etária”, completou Voorwald.

Moção ao governador

A Câmara Municipal de Vinhedo aprovou na última segunda-feira (13), por unanimidade, uma moção de autoria do vereador de Rodrigo Paixão (Rede) que solicita ao governador do estado Geraldo Alckmin (PSDB) a suspensão da reorganização escolar

Seguem informações sobre a Moção de apelo de autoria do vereador , solicitando a suspensão da chamada R. A moção foi aprovada por unanimidade na noite de segunda-feira (13).

“Não queremos o fechamento das unidades escolares”, afirma Paixão. “Em Vinhedo temos três escolas estaduais. Se elas fecharem, será muito prejudicial a todos”, acredita.

As definições sobre quais escolas sofrerão alterações ou até fecharão as portas ficará por conta das delegacias regionais de ensino de cada região (em Campinas há duas). A Secretaria da Educação definiu para 14 de novembro um encontro entre as escolas, pais e responsáveis da rede estadual de ensino. A proposta do Dia “E” é explicar o novo processo de reorganização e tirar dúvidas, entender como serão feitas as transferências e quais escolas receberão alunos. A ação acontecerá de forma simultânea em todo o Estado.

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Moara Semeghini