Publicado 14 de Outubro de 2015 - 19h20

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Cedoc/RAC

Eric Rocha

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) disse ontem que a confusão registrada na última sexta-feira entre a Polícia Militar e moradores de um condomínio, no bairro Matão, em Sumaré, aconteceu após a abordagem a “uma pessoa em atitude suspeita”. A pasta também disse que o Comando da PM da região de Piracicaba encaminhará um vídeo obtido pelo Correio para que o 48º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) avalie a conduta dos PMs envolvidos na ocorrência.

A gravação a qual a reportagem teve acesso mostra dois policiais militares agindo de forma truculenta ao abordar um homem. Eles o imobilizam e chegam a aplicar uma chave de pescoço. Moradores, desesperados com a situação, se aproximam e tentam conversar com os policiais, mas são dispersados logo na sequência. A gravação, feita pelas câmeras de segurança de um dos prédios do condomínio, também mostra pedras e outros objetos sendo lançados. Um policial chuta a porta do residencial e chega a apontar a arma para dois homens e depois para dentro do condomínio. Uma menina que filmava a ação com um celular foi levada para fora do local. Testemunhas disseram que ela foi agredida com pontapés.

De acordo com os moradores, as primeiras viaturas da PM chegaram às 22h30 da sexta-feira passada, na Rua Eduardo Hoffman e fecharam o comércio informal. A população ficou surpresa com a ação e entrou no condomínio. Minutos mais tarde, o homem teria ido conversar com os policiais e foi agredido, dando início a confusão relatada.

Em nota, a SSP informou que uma equipe estava em patrulhamento pela região quando avisou uma pessoa em atitude suspeita. Ela teria reagido à abordagem e agredido os policiais, motivo pelo qual começou a ser algemado. A pasta disse que “um grande número de pessoas com pedaços de madeira, garrafas e pedras interveio a favor do suspeito e passou a danificar a viatura e agredir a equipe policial”. No tumulto, o agressor teria conseguido fugir e não foi localizado. “O veículo oficial teve danos nos vidros e lataria. Três policiais ficaram feridos. Com a ajuda de outras equipes da PM. foram detidos os autores das agressões à equipe e dos danos à viatura”, afirmou a secretaria, sem especificar o número de pessoas detidas.

Questionada pelo Correio, a SSP não respondeu se achava normal o uso ostensivo de armas apontadas aos moradores, se considerava a abordagem truculenta e desproporcional e se avaliava as cenas do vídeo como uma ação policial normal, de rotina, plausível e justificada. A reportagem também perguntou o que aconteceu com a mulher que teria sido detida após filmar a ação. Também foi solicitado o nome dos policiais envolvidos, para uma possível entrevista, mas também não houve retorno.

Morte de policial

Condôminos afirmaram na última segunda-feira que, após o episódio, policiais militares teriam começado a fazer blitze diárias no local, a invadir as casas sem mandado, agredir e xingar as pessoas abordadas. Cinco moradores, entre eles duas mulheres, mostraram marcas roxas e vergões de supostas agressões que teriam ocorrido nos últimos dias. A SSP, no entanto, também não comentou se apura essas denúncias.

O aumento do efetivo na área teria ocorrido após a morte do sargento Carlos Henrique Zatarin de Souza, de 29 anos. O policial militar, que era lotado no 48º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), foi assassinado com dois tiros na cabeça, no posto Sucão, na Rodovia Anhanguera (SP-330), na quarta-feira da semana passada. Ele esperava uma ônibus às margens da rodovia quando, ao embarcar no coletivo, foi alvejado pelas costas. Segundo testemunhas, os disparos foram feitos por dois homens, que fugiram levando a arma do PM.

Um suspeito, identificado como Aguinaldo Nunes, foi preso um dia após o crime. O delegado Marcelo Moreschi Ribeiro, do 4º Distrito Policial de Sumaré, informou ontem, via SSP, que solicitou imagens à empresa de ônibus para tentar identificar o outro autor do crime.

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Adagoberto F. Baptista