Publicado 14 de Outubro de 2015 - 18h36

Por Adriana Leite e Silva

Fotos: Dominique Torquato

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Depois de colecionar números negativos neste ano, o varejo em Campinas teve um pequeno alento no mês passado. A inadimplência deu uma freada em setembro e caiu 11,16% em relação a igual período do ano passado. Dados da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostram que foi a primeira vez neste ano que o indicador teve um recuo frente a 2014. Com a proximidade do final de ano, os consumidores começam a pagar as dívidas para ter crédito que permita comprar no Natal. Mas o comércio ainda amarga um calote de R$ 133 milhões em Campinas e R$ 320,4 milhões na Região Metropolitana.

Um dado que reforça a preocupação dos consumidores em ficar com o nome limpo é o volume de carnês que foram excluídos do cadastro do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Segundo as informações divulgadas ontem pela Acic, 65.548 contas em atraso saíram da famigerada lista no mês passado. Em setembro de 2014, o volume foi de 34.105 débitos com atraso de mais de 30 dias no pagamento. A variação foi de 92,19%. O resultado do mês só não foi melhor porque também cresceu em 54,08% a quantidade dívidas incluídas, que subiu de 54.030 documentos para 83.250 carnês.

No acumulado de janeiro a setembro, a inadimplência galopante cresceu 15,67% se comparada com os nove meses de 2014. De acordo com os dados do SCPC de Campinas, o saldo de carnês vencidos há mais de 30 dias saltou de 169.670 dívidas para 184.697 débitos. O coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou que a alta do desemprego e a crise econômica provocaram a forte alta da inadimplência neste ano. “Muitos trabalhadores estão desempregados e uma das primeiras medidas é deixar de pagar os carnês das lojas”, disse.

Martins lembrou que em setembro o governo pagou a primeira parcela do 13º salário dos aposentados e parte dos recursos foi utilizada para quitar contas em atraso. “A tendência é que nos próximos meses aumente a quantidade de débitos pendentes sendo exclu´ídos do SCPC. Os consumidores querem ficar adimplentes para comprar no Natal. Entretanto, a inadimplência neste ano ficará bem acima do ano passado. O crescente desemprego afeta as finanças das famílias e descontrola o pagamento das contas”, ressaltou.

Vendas

As boas notícias para o comércio pararam na queda da inadimplência. A movimentação financeira e o volume de vendas caíram em setembro. O levantamento mensal da Acic apontou que o faturamento nominal recuou 6,19% atingindo R$ 1,19 bilhão, enquanto que em 2014 o volume foi de R$ 1,27 bilhão em Campinas. “No acumulado do ano, o faturamento caiu 2,32%. Se deflacionarmos o valor, a queda chega a quase 10%”, apontou. Ele comentou que a situação é semelhante na Região Metropolitana de Campinas (RMC). O faturamento nominal no acumulado ficou 1,71% abaixo do ano passado. O volume caiu de R$ 24,89 bilhões para R$ 24,46 bilhões.

“A movimentação também teve baixa. Os dados do SCPC mostram que as consultas caíram de 368.049 para 349.316 em Campinas. O consumidor não está comprando”, disse Martins. As vendas à vista dominaram as operações registradas no SCPC. O pagamento integral no ato da compra teve um aumento de 1,94% em setembro frente a igual mês do ano passado. “Os consumidores estão fugindo das compras a prazo. Com juros elevados, restrição para obtenção de crédito e o desemprego, as vendas à vista ganharam força no ano. As compras no crediário caíram 9,92% no mês em relação ao ano passado”, comparou o especialista.

Estratégia

O professor do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Campinas – unidade Ouro Verde, Márcio Ferreira, afirmou que a inadimplência afeta diretamente o caixa das empresas. “Durante os últimos anos, o crescimento do País foi puxado pelo crédito e o consumo. Hoje vivemos uma escassez de crédito e isso afeta as empresas e o consumidor. Com as vendas em queda, o crescimento da inadimplência piora a situação financeira dos comerciantes”, disse.

Ele salientou que o caminho para minimizar o risco de calote é adotar práticas que tornem mais criteriosas as vendas; realizar promoções que facilitem as compras à vista; e evitar formas de pagamentos que facilitem a inadimplência como o cheque. “O lojista deve buscar tática para reduzir os riscos de inadimplência. O empresário também deve fazer um planejamento financeiro que já deixa uma previsão de taxa de inadimplência. O importante é garantir formas de elevar os recursos em caixa para minimizar os impactos da inadimplência”, recomendou.

RETRANCA 1

O cenário das vendas em outubro continua pouco animador. O resultado do Dia das Crianças, que é uma das quatro principais datas para o varejo no ano, mostra que o consumidor fechou a carteira e só deve abri-la um pouquinho no Natal. Balanço divulgado ontem pela Associação Comercial e Industrial (Acic) apontou que as vendas na data caíram 5,85% em relação ao ano passado em Campinas. “O faturamento teve uma queda de R$ 200 milhões para R$ 188,3 milhões”, disse o coordenador do Departamento de Economia, Laerte Martins.

Ele destacou que na Região Metropolitana de Campinas (RMC) o volume teve uma baixa de R$ 399,2 milhões para R$ 376,1 milhões. Martins disse que também houve declínio nas contratações temporárias. “Em Campinas, no ano passado foram contratadas 1.335 pessoas em 2014 e neste ano caiu para 1.150 trabalhadores. Na RMC, a quantidade diminuiu de 2.505 pessoas para 2.145 trabalhadores. A tendência não é nada promissora para o Natal. As contratações temporárias devem ficar bem abaixo de 2014”, lamentou. (AL/AAN)

Saiba Mais

126,10

reais

foi o valor médio do presente em Campinas no Dia das Crianças em 2015

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Adriana Leite e Silva