Publicado 14 de Outubro de 2015 - 16h45

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O governo do Estado deverá incorporar à proposta de renovação da outorga do Sistema Cantareira pelo menos duas reivindicações feitas ontem pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) ao Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) para garantir a segurança do abastecimento da cidade. Além de uma vazão mínima no Rio Atibaia no posto de monitoramento de Valinhos, já proposta pelo Estado, a Sanasa quer garantias de vazões minimas também nos postos de Atibaia e de Paulínia. Outra reivindicação foi a de constar claramente nas regras de operação do sistema as condições em que haverá liberação de água para que as vazões mínimas nos três pontos seja garantida.

O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, disse ontem em Campinas que as sugestões serão avaliadas pela equipe técnica do departamento (que divide a gestão do Cantareira com a Agência Nacional de Águas). Ele se reuniu na Prefeitura com o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo e técnicos da empresa de abastecimento. Borsari afirmou que a preocupação nas discussões é estabelecer regras para o sistema que garantam a segurança hídrica das bacias do Alto Tietê e do PCJ.

ANA e Daee acordaram no início de setembro, criar cinco faixas de operação dos reservatórios. Na faixa 1, chamada úmida, quando os reservatórios operarem acima de 85% do volume útil, o PCJ terá 8 m3/s e a Sabesp, 33 m3/s. Na faixa 2, que operará acima de 40% e abaixo de 85¨%, o PCJ terá 6 m3/s e a Sabesp, 31 m3/s, enquanto na faixa 3, de atenção, com reservatórios entre 30% e 40% do volume útil, o PCJ terá 5 m3/s e a Sabesp, 27 e na faixa 4, entre 20% e 30%, a região de Campinas receberá 4 m3/s e a Grande São Paulo, 23 m3/s. Já na faixa 5, de operação especial cm os reservatórios operando abaixo de 20% da capacidade, não será definida vazão – a ANA recomenda desenvolver curvas-guias baseadas em método que leva em consideração o pior biênio do histórico, que passa a ser o período entre 2015 e 2015.

O governo do Estado propôs também que, além das faixas, fosse mantida uma vazão constante de 2 metros cúbicos por segundo (m3/s) dos reservatórios para as Bacias PCJ, com garantia de uma vazão mínima de 12 m3/s no Rio Atibaia, em Valinhos. Quando nesse ponto a vazão fosse menor que 12 m3/s, seria despachado o que falta dos reservatórios. A ANA rejeitou essa sugestão, mas o Daee acredita que poderá contar com o apoio das bacias hidrográficas na defesa desse modelo de gestão.

O presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo, explicou a Borsari que a preocupação em ter uma vazão mínima de 10 m3/s em Atibaia, visa garantir a vazão de 12 m3/s em Valinhos. Já em Paulínia, onde a empresa também sugeriu 10 m3/s, a preocupação é evitar que Campinas tenha que reduzir a captação de água nos períodos de seca. Os gestores do Sistema Cantareira utilizam o posto de monitoramento em Paulínia para definir o momento em que regras de restrição começam a valer. Nas regras atuais, sempre que o Rio Atibaia registrar vazão abaixo de 3,5 m3/s, cidades do Baixo Atibaia, como Campinas, terão que reduzir a captação em 20% e indústrias e agricultura, em 30%.

RETRANCA

A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) quer ter mais autonomia no uso da água do Sistema Cantareira, a partir da renovação da outorga. A empresa, que abastece a Grande São Paulo, quer ter direito a um percentual do volume de água que entra nos reservatórios pelos rios e chuva e poder usar da forma que melhor entender esse volume. Quando não precisar de toda a água a que tem direito, tiraria menos e ficaria uma poupança nos reservatórios para quando precisasse de um volume acima do autorizado.

O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, evitou comentar a proposta ontem e disse que é um modelo interessante mas que, no momento, a preocupação é estabelecer uma proposta para as duas bacias e para a gestão do sistema, que garanta a segurança hídrica.

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