Publicado 14 de Outubro de 2015 - 15h10

Por Delminda Aparecida Medeiros

A Colina Escarlate

Delma Medeiros

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Dirigido por Guilhermo Del Toro, o criador do fantástico O Labirinto do Fauno, o romance gótico A Colina Escarlate, um puro clássico de terror, que chega hoje aos cinemas brasileiros, assusta e encanta. Não gosto particularmente do gênero terror, mas Toro sabe bem como envolver o espectador ao contar sua história, que mescla momentos de leveza e encanto com outros aterrorizantes. Se em O Labirinto do Fauno a violência era psicológica e mais sugerida que explícita, em A Colina Escarlate, o diretor não economiza nas tintas, apesar de preservar também o clima onírico e lúdico, especialmente no casarão com teto vazado de onde caem folhas e poeira continuamente. O cenário consegue ser sombrio e poético ao mesmo tempo.

Há fantasmas bem assustadores - até mesmo a mãe da protagonista, a escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas), que vem alertá-la de perigos futuros, não tem nada de maternal, pelo contrário.

O filme conta a história de Edith, que desde criança convive com fantasmas e encontrou na escrita uma forma de se libertar de seus demônios e traumas de infância. Quando se apaixona pelo misterioso e sedutor Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston, o irmão vilão da série Thor), a escritora deixa sua casa e se muda para a obscura mansão do marido, no topo de uma montanha de barro vermelho-sangue, um lugar repleto de segredos que vão assombrá-la para sempre. Entre o desejo e as trevas, entre mistério e loucura, encontra-se a verdade por trás de Crimson Peak, a Colina Escarlate.

Na casa, Edith convive também com sua fria e estranha cunhada Lucille Sharpe (Jessica Chastain, de Perdido em Marte) e tem que enfrentar a visão de monstros horripilantes. A mansão que lentamente afunda na lama vermelha guarda muitos e sombrios segredos, que Edith tem que desvendar para descobrir, de fato, quem é o seu marido e como manter a sanidade no meio de toda a estranheza da casa isolada do mundo.

O filme é envolvente, bem montado e prende a atenção, no melhor estilo Toro de contar uma história fantástica. As transformações que envolvem os personagens são notáveis, tanto de Edith, que pouco a pouco vai perdendo a inocência e descobrindo uma força que desconhecia, como em Thomaz, que passa da frieza inicial a um estado entre o apaixonado e o confuso. Apenas Lucille mantém a mesma frieza e se mostra capaz de tudo para satisfazer seus desejos. O trio central de atores está muito bem e defende seus personagens com força e competência. Apesar dos sustos, é inevitável não torcer por Edith e até pelo romance do casal. Integram o elenco ainda Charlie Hunnam, Jim Beaver e Leslie Hope.

O filme estava sendo desenvolvido por Guilhermo Del Toro há três anos. Além dos citados, Toro responde pela direção também dos filmes Hellboy (2004) e Círculo de Fogo (2013).

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Delminda Aparecida Medeiros