Publicado 13 de Outubro de 2015 - 18h10

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: César Rodrigues

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Com a instalação de duas novas passarelas já em funcionamento na rodovia Dom Pedro I (SP-065), a concessionária Rota das Bandeiras, responsável pelo trecho, prevê que até o primeiro semestre de 2016 as duas antigas estruturas sejam completamente removidas. Uma dessas passarelas ainda está em uso, e a outra desativada. Localizadas ao lado das recém-instaladas e entre o acesso do Aeroporto dos Amarais e a Central de Abastecimento de Campinas (Ceasa), as passarelas de concreto darão passagem às novas vias marginais que o corredor irá ganhar naquele trecho.

No entanto, apesar de não terem mais de 20 anos de implantação, um estudo foi realizado nos antigos dispositivos e concluiu-se que não seria possível adequá-los, informou a Rota das Bandeiras. Dessa maneira, serão removidas do local com o avanço da construção das marginais e uma operação será realizada para a remoção das estruturas, que não serão reaproveitadas. De acordo com a concessionária “haverá implosão do material, em local seguro”.

As antigas estão em bom estado e muitos moradores ainda preferem usá-las ao invés das novas passarelas. “Eu gosto de usar essa passarela, porque a outra fica um pouco mais longe e é maior para atravessar”, disse a operadora de máquinas Lina Reis, de 50 anos. Ontem pela manhã ela e a maioria dos que atravessava a passagem na altura dos bairros Santa Mônica e São Marcos preferia a antiga estrutura, no km 142, distante 250 metros da nova passarela. “Quando desativarem eu passo a usar a outra”, completou Lina.

A técnica de enfermagem Ednalva Santos, de 41 anos, também confirma que a maioria usa o antigo dispositivo, mas já está se preparando para aumentar um pouco mais o seu trajeto até o ponto de ônibus e utilizar a nova estrutura. “Colocaram uma placa interditando, mas depois liberaram. Enquanto isso, vamos usando essa antiga mesmo”, disse.

As novas passarelas estão instaladas nos quilômetros 140 930 e km 141 750. Foram liberadas para os usuários no mês de setembro. Segundo a Rota das Bandeiras, elas foram construídas para atender às normas de acessibilidade determinadas pela Agência de Transportes de São Paulo (Artesp) e estão adequadas às novas vias marginais que estão sendo implantadas na rodovia - as passarelas têm 100 metros de comprimento, e vão permitir a passagem das novas pistas.

As rampas dos novos dispositivos possuem menor inclinação e dispõem de área de descanso, com trechos retos. Além disso, são equipadas com dispositivos de acessibilidade, como sinalização de solo para deficientes e placas em Braille indicando o início e o fim da passarela. “Já me acostumei vir pela nova passarela. Para mim é mais fácil subir a rampa de bicicleta pois é menos inclinada que a outra (antiga)”, disse o autônomo Mauro Ricardo dos Santos, de 36 anos.

Entre janeiro e setembro do ano passado, a região entre os quilômetros 140 e145 da D. Pedro I teve o registro de três atropelamentos, dois deles fatais. No mesmo período deste ano, foram duas ocorrências, sem mortes. A Rota das Bandeiras afirmou que não há um levantamento do número de usuários que utilizam os dispositivos diariamente, mas ressaltou que o uso da passarela é a única forma segura dos pedestres fazerem a travessia da rodovia.

Tragédia - Há 21 anos, oito pessoas morreram em acidentes que se sucederam à queda de uma passarela de pedestres entre o Jardim Santa Mônica e o Jardim São Marcos, sobre a Rodovia Dom Pedro I. A estrutura caiu depois de ser atingida por dois caminhões. Os destroços da estrutura caíram sobre veículos que trafegavam pela estrada, e sobre pedestres que caminhavam no acostamento. Naquele ponto, seis pessoas morreram. Com o trânsito interrompido dos lados da pista e o consequente congestionamento, outro acidente - a pouco mais de um quilômetro da passarela - fez mais duas vítimas. Nos dias seguintes ao acidente, pelo menos mais duas pessoas morreram, e a tragédia ganhou proporções nacionais. A passarela ficava próximo ao km 142, onde posteriormente foi construída a nova estrutura, que em breve será desativada.

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Adagoberto F. Baptista