Publicado 12 de Outubro de 2015 - 14h07

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Com a aprovação pela Caixa Econômica Federal (CEF) do projeto básico e da nova planilha de custo que elevou de R$ 340 milhões para R$ 540 milhões, a Prefeitura marcou para a próxima sexta-feira, a audiência pública que irá discutir a elaboração dos projetos executivos e de obras dos corredores do BRT. A audiência é uma exigência legal antes da publicação do edital que contratará os serviços e que está prevista para o final do mês. A Prefeitura recebeu parecer favorável do Ministério das Cidades para obter mais R$ 200 milhões em financiamento para a implantação desse projeto, o maior da cidade em mobilidade urbana.

Como ainda não tem os R$ 200 milhões, a implantação do projeto será fatiada. Com os recursos que já estão aprovados pela CEF, de R$ 340 milhões, a Prefeitura irá implantar primeiro o corredor Campo Grande, a estação de transferência Campos Elíseos e a perimetral que ligará este corredor à estação.. O Corredor Ouro Verde ficará para a segunda fase.

O encarecimento do projeto ocorreu por três motivos, segundo o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Carlos José Barreiro. O primeiro é que o orçamento anterior havia sido feito em cima de estimativa de custo e não de projeto; o segundo, que a necessidade de obras de arte (pontes, viadutos) foi superior ao estimado inicialmente e o terceiro foi que a Prefeitura resolveu aplicar outra técnica de pavimento no corredor, com piso rígido de concreto em toda a extensão.

Como não haverá dinheiro em curto prazo para os dois corredores, as mudanças farão com que os BRTs tenham uma única chegada a área central – virão pela avenida John Boyd Dunlop, pelo leito desativado do extinto VLT, passarão pelo Terminal Ramos de Azevedo e chegarão a estação de transferência na região do Mercado Municipal.

Barreiro disse que, enquanto não sai o recurso complementar, o corredor Ouro Verde, que hoje já tem via segregada para onibus na Avenida das Amoreiras e Ruy Rodrigues, receberá

reforma para que as faixas exclusivas recebam o padrão BRT, sem que esses veículos, no entanto, circulem por ela. “Assim, a chegada ao Centro serão pelo corredor Campo Grande. Os BRTs que vem pelo Corredor Ouro Verde chegarão na estação de transferência Campos Elíseos e acessarão a via perimetral até o Corredor Campo Grande para chegar ao Centro”, disse.

Campinas tenta implantar os corredores do BRT desde 2011, quando desistiu de implantar um outro modal, o veículo leve sob pneus (VLP) porque, com o custo elevado do projeto, não conseguiu a adesão do empresariado do setor de transportes, a quem caberia a aquisição dos veículos – uma espécie de metrô de superfície. No lugar de VLP veio o BRT, sigla de Bus Rapid Transit, sistema de ônibus de alta capacidade, que utiliza corredores exclusivos para trafegar biarticulados e triarticulados. Na época, a Prefeitura preferiu utilizar a verba para fazer os corredores Campo Grande e Ouro Verde para biarticulados, construir interligações entre os corredores, reformar e construir mais uma faixa de trânsito no Viaduto Cury e implantar uma nova avenida, com corredor de ônibus, no antigo leito da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro ligando a Rodovia D. Pedro ao Guanabara.

O pacote de projetos, que somam R$ 430 milhões, foi encaminhado para o Ministério da Cidade, dentro do PAC da Mobilidade Grandes Cidades, destinado ao incremento da infraestrutura do transporte coletivo nas maiores cidades do País. Desse pacote, conseguiu a aprovação de R$ 340 milhões para os corredores Campo Grande e Ouro Verde. Os custos de implantação, no entanto, serão mais caros do que o estimado e a Prefeitura busca agora conseguir mais R$ 200 milhões para esses dois corredores.

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