Publicado 13 de Outubro de 2015 - 12h16

Por Carlos Rodrigues

Fumagalli com a mulher Viviane e o filho Gabriel: ídolo bugrino teve um bom ano apesar do time não alcançar o acesso

Dominique Torquato/AAN

Fumagalli com a mulher Viviane e o filho Gabriel: ídolo bugrino teve um bom ano apesar do time não alcançar o acesso

Fumagalli encerrou com um hat-trick (três gols na mesma partida) sua sexta temporada no Guarani, na semana passada, contra o Caxias. E, para se ter uma ideia da importância do meia para o time durante esse tempo, basta dizer que, em todos esses anos, ele foi o artilheiro bugrino. Às vésperas de completar 38 anos — o aniversário será nesta segunda-feira (5) — o capitão vai guardar com carinho um 2015 perto do ideal.

Foram 15 gols, várias assistências e presença em 94% dos jogos do time. Para ficar perfeito, só faltaram os sonhados acessos. Objetivo que ele pretende cumprir na próxima temporada. Sem pensar em aposentadoria ainda, o Fumagol, otimista, sonha com um 2016 de conquistas. O meia recebeu o Correio Popular em sua casa em Americana e falou da boa fase e das expectativas.

Mais uma vez o Guarani fracassou na busca pelos acessos no Paulista e Brasileiro. O que faltou para dar certo?

Eu acho que esse ano foi bem melhor que os anteriores, mas infelizmente não deu. No Paulista chegamos perto, mas demos mole naquele jogo contra o Velo Clube. E no Brasileiro tivemos uma campanha de recuperação, ganhamos quatro em cinco jogos, mas no futebol acontecem tantas coisas que, mesmo fazendo nossa parte, ficamos de fora.

Dá para acreditar que, em 2016, as coisas vão ser diferentes?

O Guarani está, aos poucos, retomando o caminho. Tem que ir se organizando para que as coisas aconteçam, o time volte ao lugar que merece estar e possa buscar coisas grandes, como estar na Série A do Brasileiro, chegar longe no Paulista. As coisas têm melhorado. Mantendo a base e contratando bons reforços, a tendência é de um ano melhor. Estamos vendo o clube resolver a questão administrativa, isso também pode ajudar muito a começar o ano sem problemas financeiros, que tanto atrapalharam nos últimos anos. Tem tudo para 2016 ser o ano do Guarani. Tô muito confiante nisso.

Se o time não alcançou os objetivos, sua parte você fez, com sobras. Te surpreendeu esse desempenho tão bom?

Foi uma temporada muito positiva. Eu sempre me preparo para fazer o melhor, com gols, assistências. Sei que se eu estiver bem, a equipe também cresce. Estou muito contente com o meu rendimento. Nunca tinha feito três gols na carreira no mesmo jogo e nesse ano fiz duas vezes. Foi um ano especial, maravilhoso, mas faltou o algo a mais, que seria a conquista de um acesso para ser uma temporada perfeita. Mas estou confiante que 2016 será um ano ainda melhor, para mim e para o Guarani.

Você está prestes a completar 38 anos, mas continua jogando muito — em qualidade e quantidade. Qual o segredo?

O segredo é que sou fominha (risos). Isso tem me ajudado na carreira. Sempre me dediquei muito. Não gosto de ficar fora de treinos, jogos. Nas férias eu não paro. Claro que na hora do churrasquinho, da cerveja, eu aproveito, mas mantenho a forma, vou na academia, jogo uma pelada, cuido da alimentação. Tudo no momento certo. Se você não se cuidar, perde muito. Ainda mais que agora serão quatro meses sem partidas oficiais. E eu fiz isso na minha carreira inteira, sempre treinei nas férias e estou colhendo os frutos agora.

Para o torcedor bugrino, você é, sem dúvidas, o maior ídolo recente, ainda mais por defender o clube nesse momento tão difícil. Como é receber esse reconhecimento e carinho?

É um orgulho para mim, sou muito grato. Acho que tenho esse carinho porque eles sentem que eu me entrego ao clube. Seria muito fácil eu sair na situação difícil. Tenho mercado, opção de jogar em outro clube, mas eu escolhi ficar e o torcedor enxerga isso. A identificação é enorme e isso me deixa mais motivado para conseguir o tão sonhado acesso.

Falando em permanência, seu contrato termina em dezembro. Já está garantida sua permanência? Chegou a receber alguma proposta de outro clube?

Até agora, ninguém me procurou para discutir essa questão, mas há o interesse mútuo de permanência. Vamos sentar nos próximos dias para discutir esse contrato e ver o que é melhor para que eu possa continuar vestindo a camisa do Guarani. Quanto a propostas, tive duas sondagens de times que vão disputar a Série A1 do Paulista, mas nem abri negociação com ninguém porque tenho interesse em ficar.

Você é capitão, líder e referência dentro de campo. Acha que, para o ano que vem, seria importante mais gente para dividir essa responsabilidade?

No elenco nós temos jogadores assim e eles precisam ser valorizados. O Gladstone mostrou esse perfil nos últimos jogos, o Carpini durante o período que atuou. Mas se tiver mais gente, melhor ainda, porque é difícil encontrar jogadores assim. Não é só o capitão, o mais velho. Três ou quatro líderes dentro e fora de campo ajudam e muito. Aquele time vice-campeão paulista em 2012 deu certo também por isso. O Wellington Monteiro era o capitão, mas tinha eu, Domingos, Emerson, Fabinho, líderes natos. Você precisa de qualidade técnica, mas também de jogadores com esse compromisso de fazer o Guarani mais forte.

Para concluir, um assunto que você é questionado desde 2012: aposentadoria. O ano de 2016 é o último ou ainda é cedo para decidir?

Eu já estive mais próximo de parar do que agora, como em 2012, quando tive uma grave lesão (no tendão de Aquiles). Estou bem em todos os sentidos e quero jogar em 2016. Mas acredito que deva ser o último ano. Não posso afirmar 100%, mas estou amadurecendo essa ideia, já que vou chegar com 39 anos. Quero muito esses dois acessos para depois tomar uma decisão.

Escrito por:

Carlos Rodrigues