Publicado 15 de Outubro de 2015 - 17h57

Por Delma Medeiros

Cena do filme 'A Colina Escarlate', que tem direção de Guillermo del Toro

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Cena do filme 'A Colina Escarlate', que tem direção de Guillermo del Toro

Dirigido por Guilhermo Del Toro, o criador do fantástico 'O Labirinto do Fauno', o romance gótico 'A Colina Escarlate', clássico de terror que chega nesta quinta-feira (15) aos cinemas brasileiros, assusta e encanta. Não gosto particularmente do gênero terror, mas Toro sabe bem como envolver o espectador ao contar sua história, que mescla momentos de leveza e encanto com outros aterrorizantes. Se em 'O Labirinto do Fauno' a violência era psicológica e mais sugerida que explícita, em 'A Colina Escarlate', o diretor não economiza nas tintas, apesar de preservar também o clima onírico e lúdico, especialmente no casarão com teto vazado de onde caem folhas e poeira continuamente. O cenário consegue ser sombrio e poético ao mesmo tempo.

Há fantasmas bem assustadores — até mesmo a mãe da protagonista, a escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska, de 'Alice no País das Maravilhas'), que vem alertá-la de perigos futuros, não tem nada de maternal, pelo contrário.

O filme ambientado no século 19, conta a história de Edith, que desde criança convive com fantasmas e encontrou na escrita uma forma de se libertar de seus demônios e traumas de infância. Quando se apaixona pelo misterioso e sedutor Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston, o Odin da série 'Thor'), a escritora deixa sua casa e se muda para a obscura mansão do marido, no topo de uma montanha de barro vermelho-sangue, um lugar repleto de segredos que vão assombrá-la para sempre. Entre o desejo e as trevas, entre mistério e loucura, encontra-se a verdade por trás de Crimson Peak, a Colina Escarlate.

Na casa, Edith convive também com sua fria e estranha cunhada, Lucille Sharpe (Jessica Chastain, de 'Perdido em Marte') e tem que enfrentar a visão de monstros horripilantes. A mansão que lentamente afunda na lama vermelha guarda muitos e sombrios segredos, que Edith tem que desvendar para descobrir, de fato, quem é o seu marido e como manter a sanidade no meio de toda a estranheza da casa isolada do mundo.

O filme é envolvente, bem montado e prende a atenção, no melhor estilo Toro de contar história. As transformações que envolvem os personagens são notáveis, tanto de Edith, que pouco a pouco vai perdendo a inocência e descobrindo uma força que desconhecia, como em Thomaz, que passa da frieza inicial a um estado entre o apaixonado e o confuso. Apenas Lucille mantém a mesma frieza e se mostra capaz de tudo para satisfazer seus desejos. O trio central de atores está muito bem e defende seus personagens com força e competência. Apesar dos sustos, é inevitável não torcer por Edith e até pelo romance do casal. Integram o elenco ainda Charlie Hunnam, Jim Beaver e Leslie Hope. Outro detalhe que merece destaque é o figurino, fabuloso e que reforça a personalidade dos personagens. 

O filme estava sendo desenvolvido por Guilhermo Del Toro há três anos. Além dos citados, Toro responde pela direção também dos filmes 'Hellboy' (2004) e 'Círculo de Fogo' (2013).

Escrito por:

Delma Medeiros