Publicado 15 de Outubro de 2015 - 5h30

Depois de colecionar números negativos neste ano, o varejo em Campinas teve finalmente um pequeno alívio em setembro: a inadimplência caiu 11,16% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo os dados da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) - que mostram também que esta foi a primeira vez neste ano que o indicador registrou recuo frente a 2014.

Um dos motivos é que, com a proximidade do final de ano, os consumidores começam a quitar seus débitos, garantindo assim novos créditos para as compras de Natal. Mas mesmo com a queda dos calotes no mês passado, o comércio ainda amarga um prejuízo de R$ 133 milhões em Campinas e R$ 320,4 milhões na Região Metropolitana com pagamentos em atraso.

Um dado que reforça a preocupação dos consumidores em ficar com o nome limpo é o volume de carnês que foram excluídos do cadastro do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Segundo a Acic, 65.548 contas em atraso saíram da lista no mês passado, contra 34.105 em setembro de 2014 (considerando falta de pagamento por um período superior a 30 dias) - ou seja, o volume quase dobrou.

O resultado do mês só não foi melhor porque também cresceu a quantidade dívidas incluídas, que subiu de 54.030 para 83.250 carnês - uma alta de 54%.

No acumulado de janeiro a setembro, a inadimplência cresceu 15,67% se comparada com os nove primeiros meses de 2014. De acordo com os dados do SCPC de Campinas, o saldo de carnês vencidos há mais de 30 dias saltou de 169.670 para 184.697.

O coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou que a alta do desemprego e a crise econômica provocaram a forte alta da inadimplência neste ano. Martins lembrou que em setembro o governo pagou a primeira parcela do 13 salário dos aposentados - e parte dos recursos foi para quitar contas em atraso. “A tendência é que mais consumidores regularizem sua situação nos próximos meses.

Vendas

As boas notícias para o comércio, porém, pararam na queda da inadimplência: tanto a movimentação financeira quanto o volume de vendas caíram em setembro. O levantamento mensal da Acic apontou que o faturamento nominal em Campinas recuou 6,19%, para R$ 1,19 bilhão (em 2014 o volume foi de R$ 1,27 bilhão).

“No acumulado do ano, o faturamento caiu 2,32%. Se deflacionarmos o valor, a queda chega a quase 10%”, apontou Martins, destacando que a situação é semelhante na RMC.

O faturamento nominal no acumulado do ano também ficou 1,71% abaixo do registrado no ano passado. O volume caiu de R$ 24,89 bilhões para R$ 24,46 bilhões.

“O movimento nas lojas igualmente diminuiu. Os dados do SCPC mostram que as consultas diminuíram de 368.049 para 349.316 em Campinas. Ou seja, há menos gente comprando”, disse Martins.

As vendas à vista dominaram as operações registradas no SCPC, com crescimento de 1,94% em setembro frente a igual mês do ano passado. Já as feitas a prazo caíram 9,92%.

Sem ânimo

O cenário das vendas em outubro continua pouco animador. O resultado do Dia das Crianças, uma das quatro principais datas para o varejo, mostra que o consumidor fechou mesmo a carteira: as vendas caíram 5,85% em relação à data do ano passado.