Publicado 14 de Outubro de 2015 - 5h30

Mais de mil funcionários da Valeo, multinacional francesa do setor de autopeças, instalada em Campinas, entraram em greve por tempo indeterminado ontem. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, a empresa quer que os funcionários aprovem uma proposta de redução de salários e de jornada dentro do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) instituído neste ano pelo governo federal. Para aderir ao programa, a empresa precisa do aval dos trabalhadores e do sindicato, que são contra as medidas.

Depois de realizar uma assembleia, os funcionários da fábrica da Valeo decidiram paralisar as atividades. “Em junho, a empresa nos procurou querendo verificar se o sindicato aceitaria a redução de salários e de jornada. Fomos claros que não aceitamos essas medidas. Recentemente, a empresa tentou novamente. Como a resposta foi negativa, a Valeo criou uma comissão coagindo funcionários para que conseguir a aprovação dos trabalhadores”, comentou o diretor do sindicato, Eliezer Mariano. Segundo ele, assim que o sindicato soube da pressão da empresa, os dirigentes foram até a porta da fábrica para esclarecer os trabalhadores sobre os prejuízos gerados pelo PPE e os funcionários decidiram pela greve. “A empresa está buscando formas de driblar o sindicato e legitimar o pedido para o Ministério do Trabalho e Emprego de adesão ao PPE. Não vamos aceitar essa pressão e nem o PPE”, disse. A reportagem entrou em contato com a Valeo, mas o porta-voz da empresa não deu retorno até o fechamento desta edição. (AAN)