Publicado 14 de Outubro de 2015 - 5h30

A inflação vai estourar o teto da meta também em 2016, segundo prognóstico feito ontem pela primeira vez pela elite dos analistas do setor privado. O Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central, revelou que as instituições Top 5 (as que conseguem antecipar com mais precisão o comportamento do IPCA) preveem uma taxa de 6,72% para o ano que vem. Na pesquisa geral, a expectativa também subiu e agora está em 6,05%.

A meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o próximo ano é de 4,5% com 2 pontos percentuais de tolerância para baixo ou para cima, o que, no limite, abrigaria uma variação de até 6,5%. Na semana passada, em evento em Lima (Peru), o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou o compromisso da autoridade monetária em fazer a inflação convergir para o centro da meta ao fim do ano que vem.

O problema do BC, no entanto, não é só 2016. Para onde quer que se olhe no relatório Focus, o que se vê é uma alta das previsões para a inflação, independentemente do indicador ou do período. Para o curto prazo, por exemplo, espera-se agora que o IPCA avance 0,65% em outubro e 0,57% em novembro.

Essas correções ajudaram a aumentar a estimativa para a inflação de 2015, que deve fechar em 9,7%, segundo o documento.

O dólar é um catalisador dessa alta. A projeção contida no boletim Focus é de uma cotação de R$ 4,00 para este ano e de R$ 4,15 para o próximo. Outro fator importante são os preços administrados, que foram ajustados para cima depois de mais um anúncio de reajuste dos preços dos combustíveis. Em 2015, esse conjunto de itens deve subir 16% e, em 2016, 6,27%.

O mercado ficou mais cauteloso também com as previsões para o corte da taxa básica de juros (Selic) no ano que vem - atualmente está em 14,25% ao ano. Há agora uma divisão entre os participantes da Focus sobre se a taxa encerrará em 12,5%, aposta da semana passada, ou 12,75%. Pesa também nesse novo cenário a perspectiva de que a recessão econômica será mais forte. Pela pesquisa, o Produto Interno Bruto (PIB) deve recuar 2,97% este ano e 1,2% no próximo. (Agência Estado)